A respiração de Malu estava quente, presa na garganta.
O corpo inteiro vibrava como se tivesse sido ligado direto na tomada.
E Cássio, colado nela, olhando como se esperasse apenas uma palavra para incendiar o apartamento inteiro.
Ela fechou os olhos, sentiu a mão dele firme em sua cintura, o cheiro dele, a boca dele tão perto…
E falou baixo.
Baixinho demais para o juízo sobreviver.
— …só uns minutinhos.
Cássio sorriu.
Não um sorriso comum.
Um sorriso vencedor, lento, cheio de “eu sabia”.
Antes que Malu pudesse pensar nas consequências, ele passou o braço atrás das coxas dela, ergueu-a no ar com facilidade absurda e a levou até o sofá, sentando-se com ela no colo, como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo.
Malu, ofegante, ficou ali, sentada no colo dele, sentindo as mãos dele firmes na sua cintura, o peito dele subindo e descendo devagar sob a camisa escura.
“Eu tô mesmo fazendo isso? Eu tô realmente fazendo isso?”
Um sorriso escapou, involuntário, suave, denunciando tudo que ela tentava esconder.
Cássio viu.
E reagiu imediatamente.
Posicionou a mão na nuca dela e puxou devagar, trazendo o rosto dela para o dele, e a beijou.
Um beijo quente, lento, profundo. Não era fome, era degustação.
Saboreava cada milímetro, cada suspiro que ela deixava escapar, cada tremor que percorria a espinha dela.
Malu deslizou os dedos pelos cabelos dele, sentindo a textura macia, a nuca quente, o modo como ele se inclinava mais quando ela tocava daquele jeito.
Ele a puxou mais para perto, colando o corpo dela ao dele num encaixe perigoso.
Ela deslizou a mão pelo braço dele, e o músculo tensionou sob seu toque.
Era duro, forte, definido.
Veias levemente marcadas subiam pelo antebraço até desaparecer perto do cotovelo.
Aquilo fez o pulmão dela falhar.
Precisando respirar, ela afastou o rosto dele com um leve puxão no cabelo, aquele tipo de gesto que mistura provocação com entrega.
O canto da boca dele subiu sozinho, exatamente aquele cantinho que Malu conhecia bem demais e tentava não olhar.
Mas olhou.
A boca dele estava mais cheia, mais vermelha.
E ele parecia prestes a rir, o riso de um homem que adora ser puxado, dominado, provocado… e que devolve tudo em dobro.
— Ah, é assim? — ele murmurou.
Ele devolveu o puxão.
Suave.
Mas firme o suficiente para arrepiar ela dos tornozelos até a nuca.
O pescoço dela ficou completamente exposto.
E Cássio aproveitou.
A boca dele desceu devagar, lenta, quente, explorando a lateral do pescoço dela.
Beijou ali.
Depois abaixo.
Depois no ponto onde o ombro encontrava a clavícula, um beijo mais demorado, mais cheio de intenção, fazendo ela suspirar com o corpo inteiro.
O beijo então desceu para o colo dela, com uma reverência quase devota.
As mãos dele subiam pelas costas dela, entrando por baixo da blusa, explorando cada centímetro de pele.
O corpo de Malu derretido sobre o dele, prestes a deixar o sofá virar cenário de perda de juízo completo.
Cássio ainda estava lá.
Exatamente no mesmo lugar.
Sentado no sofá, uma mão no cabelo bagunçado por ela, a respiração pesada, e a expressão de quem tinha acabado de perder uma guerra muito difícil, ou quase ganhar.
Ele levantou os olhos devagar, como se estivesse vendo uma miragem.
Malu segurou o pacote com uma mão, jogou as chaves na bancada e falou no modo general:
— Sem tempo pra drama. Bora, bora, bora.
Começou a juntar as decorações, puxando uma fita daqui, ajeitando flores dali, fingindo que seu corpo não estava queimando vivo.
— Trabalhar, Cássio. Anda.
Ele piscou, ainda tonto do impacto dela.
— Achei que a gente… — ele buscou ar — …tava num momento.
— Estávamos — ela respondeu bruscamente. — Agora estamos atrasados.
Cássio passou a mão pelo rosto, ainda tentando se recompor, ainda sem acreditar que aquela mulher o parava no auge do beijo.
Malu colocou o pacote de Francine em cima da mesa e se virou para ele com um sorrisinho malicioso.
— Se tiver bom comportamento até o fim da festa…
Ela deu um passo para perto, inclinou o rosto, quase encostando o nariz no dele.
— …ganha presentinho de agradecimento.
O sorriso que tomou o rosto de Cássio foi devagar, predatório, satisfeito de um jeito que queimou a espinha de Malu de cima a baixo.
— Então eu vou ser o homem mais bem comportado dessa cidade — ele disse, a voz grave, quente, carregada de fantasias.
Malu se virou antes que sua sanidade derretesse de vez.
Mas o estrago estava feito.
Nos dois.

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