Com a arrumação praticamente pronta, Malu deu dois passos para trás, avaliando a decoração como quem checa os últimos detalhes de uma missão secreta.
— Pronto — ela disse, limpando a testa com o dorso da mão. — Agora eu vou tomar um banho. Se eu for receber convidados com cheiro de desinfetante, a Francine me mata.
Cássio cruzou os braços, olhando para ela com aquele sorriso de quem nunca está 100% comportado.
— Quer ajuda pra lavar as costas?
Malu quase engasgou com a própria saliva.
— Óbvio que não! — rebateu rápido demais.
Ele ergueu a sobrancelha.
— Isso foi um “não” muito desesperado.
— Vai montar os guardanapos! — ela ordenou virando as costas, tentando esconder o riso.
Ele apenas deu um sorriso sacana, aquele cheio de “você quer, mas tá fugindo”, e voltou a arrumar as taças.
Malu fechou a porta do banheiro e respirou fundo.
O coração ainda estava acelerado do beijo, do intervalo, da quase perda total de juízo.
Ela entrou no chuveiro e deixou a água quente escorrer pelas costas, imaginando sem querer, mas querendo, as mãos de Cássio ali.
Nas costas.
No quadril.
No pescoço.
— Ai, meu Deus… — murmurou, encostando a testa no azulejo. — Se comporta, Malu.
Mas ela saiu do banho outra mulher.
Abriu o armário, pegou o vestido que havia comprado na última viagem com Francine: preto, curto, mas elegante.
Decote triangular que valorizava os seios, costas livres, cintura marcada, saia fluida que acompanhava a curva do quadril.
Perigoso sem vulgaridade.
O tipo de vestido que deixaria Cássio sem ar por uns três minutos inteiros.
No quarto, ela fez um rabo de cavalo baixo, com algumas mechas soltas que emolduravam o rosto de um jeito suave e sensual.
Passou um perfume floral-amadeirado no pescoço, nos pulsos, atrás das orelhas.
Pronta para virar o juízo de qualquer homem. Principalmente o dele.
Quando ela saiu do corredor, Cássio estava organizando as últimas luzes na parede.
Ele virou.
E parou.
Os olhos percorreram o vestido, o cabelo, os ombros, o decote…
Depois voltaram para o rosto dela, como se não acreditasse no que estava vendo.
— …uau.
E Malu mordeu o lábio inferior tentando não sorrir como uma boba.
— Não começa — ela avisou. — Vai estragar minha concentração.
— Você acha mesmo que alguém nesse planeta vai conseguir se concentrar com você vestida assim?
Ela virou rápido, antes que caísse de novo no feitiço dele.
O celular vibrou com uma mensagem de Francine.
“Estamos chegando!”
Malu digitou “ok”, avisou ao porteiro para liberar e abriu a garrafa de vinho que Francine havia deixado lá durante a semana.
Pegou duas taças e levou para a sala.
— Quer um pouco antes deles chegarem? — ela perguntou, segurando a taça para ele.
Cássio levantou-se devagar, como um predador avaliando o momento certo.
Aproximou-se, pegou a taça da mão dela e deixou os dedos roçarem nos dela de propósito.
Claro que de propósito.
— Eu quero você — ele respondeu, olhando a boca dela enquanto falava.
Brindaram.
Beberam devagar, como se o vinho tivesse outro sabor naquele clima.
Eles conversaram um pouco sobre as luzes, o bolo, se Dorian ia gostar da cor da toalha…

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