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Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras romance Capítulo 301

O expediente já quase tinha terminado quando Dorian finalmente percebeu.

Era estranho.

Cassio não tinha aparecido na sala dele nenhuma única vez ao longo do dia inteiro.

Nenhum comentário sarcástico no café. Nenhum debate sobre contratos. Nenhuma provocação sobre quem trabalhava mais.

Nada.

Aquilo por si só já era um alerta.

Mas o pior foi quando ele chamou a secretária pelo interfone.

— Natalia, o vice-presidente teve compromissos externos hoje?

— Nenhum, senhor Villeneuve — respondeu ela. — Ele chegou no horário de sempre, mas… ficou trancado na sala desde então. Não pediu café, não chamou ninguém, não saiu nem para almoçar.

Dorian franziu o cenho.

— Ele pareceu… normal?

A secretária hesitou.

— Com todo respeito, senhor… ele parecia alguém que não dormiu. Nem um pouco.

Dorian fechou o laptop devagar.

Aquilo não estava certo.

Levantou-se, caminhou pelo corredor silencioso do andar executivo e parou diante da porta do melhor amigo.

Deu duas batidas, esperando ouvir o “entra” habitual.

Nada.

Então abriu.

Cassio estava apoiado na mesa, cotovelos plantados na madeira, mãos cruzadas na nuca. Os ombros caídos, a postura quebrada.

Parecia olhar através do tampo da mesa, como se o mundo fosse um borrão amorfo.

Dorian entrou, fechando a porta.

— Que merda aconteceu com você?

Cassio ergueu o rosto devagar, como quem volta de um sonho ruim.

— Nada.

— “Nada” é quando você dorme mal. — Dorian cruzou os braços. — Isso aí é cara de quem foi atropelado emocionalmente.

Cassio revirou os olhos.

— Eu tô bem.

Dorian sentou na poltrona em frente à mesa, ajeitando a gravata com calma.

— Não está. — Dorian se sentou na poltrona à frente dele. — E se você não falar o que houve, eu vou deduzir. E minhas deduções não costumam ser delicadas.

Cassio soltou um riso curto, amargo.

— A Malu terminou comigo.

Uma sobrancelha de Dorian subiu.

— Terminou? Vocês chegaram a começar?

— Aí dói mais. — Dorian comentou com simplicidade.

O silêncio se instalou.

Cassio parecia carregando cem quilos no peito.

Dorian pensava, mas dessa vez não era com expressão analítica, era com expressão humana.

Por fim, ele falou:

— Cassio… se você está em dúvida entre a Malu e a Bianca, faz um favor pra todo mundo: deixa a Malu seguir a vida dela. — A voz dele era firme, mas não dura. — Com a Bianca você tem história, tem família, tem expectativa. Com a Malu… tem um começo frágil. Colocar ela no meio desse fogo cruzado sem estar disposto a defender é sacanagem.

Cassio respirou fundo, derrotado.

— Foi exatamente isso que ela me disse.

— Então você já sabe o que fazer.

O silêncio voltou, mais pesado.

Cassio baixou a cabeça de novo.

Os dedos apertavam o tampo da mesa como se ele tentasse segurar alguma coisa que estava escorregando das mãos.

Dorian olhou para o relógio.

— Bom. O expediente está acabando. — Se levantou. — Precisa de um pouco de álcool pra tomar essa decisão?

Cassio levantou o rosto, e pela primeira vez no dia havia algo vivo nos olhos.

— Você é quem manda, chefe.

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