O bar escolhido era um daqueles clássicos: luz baixa, madeira escura, garrafas expostas atrás do balcão e um mural de barris decorativos.
Cassio e Dorian se acomodaram em uma mesa mais reservada, perto da parede.
— Duas doses do Lagavulin 16. — Cassio pediu ao garçom, automático, sem nem pensar.
— Uma só. — Dorian corrigiu. — Eu tô dirigindo.
Cassio nem respondeu.
Apenas pegou o próprio copo quando chegou e virou metade já na primeira golada.
O álcool queimou a garganta, mas não fez nem cócega na tormenta dentro dele.
— Vai me contar agora — Dorian disse, cruzando os braços. — Desde quando você e a Malu…?
Cassio soltou um suspiro que misturava frustração, saudade e orgulho.
E aí começou a falar.
Contou sobre o primeiro beijo no apartamento.
O "intervalo" no sofá da Malu.
A tensão no elevador.
A aproximação inevitável.
Dorian ouviu com a mesma expressão de sempre, impassível, até erguer uma sobrancelha quando Cassio descreveu a cena da porta batendo no dia da festa.
— Ahn… — Dorian disse devagar. — Agora faz sentido aquele barulho que ouvimos quando chegamos ao apartamento dela.
Cassio abriu um sorriso satisfeito, finalmente lembrando o lado bom da história.
— Pois é.
Dorian pegou o celular e enviou uma mensagem rápida para Francine, avisando que chegaria mais tarde.
Segundos depois, o telefone vibrou com a resposta.
Era uma foto.
Francine tinha fotografado Malu na cozinha da mansão, segurando uma colher de pau e inclinada sobre uma panela.
Jonas estava ao lado, observando, com expressão concentrada.
Malu sorria daquele jeito que iluminava qualquer lugar.
Na legenda, estava escrito “Olha quem veio ensinar nosso cozinheiro hoje”.
Dorian virou a tela para Cassio.
— Ela não merece menos do que esse sorriso.
Cassio levou um segundo inteiro para absorver a imagem.
De repente, o bar pareceu mais barulhento.
O whisky pareceu mais fraco.
E o peito… mais apertado.
— Que merda que eu fiz. — murmurou.
Ele virou a dose inteira de uma vez.
No exato momento em que colocou o copo na mesa, o celular vibrou.
Chamada de vídeo — Maya
Cassio bufou tão alto que Dorian quase riu.
Ele atendeu.
— Maya, não me enche o saco. Furou um pneu? Não consegue soltar o freio de mão? Qual é a tragédia dessa vez?
— Calma! — a garota respondeu, rindo. — Só queria agradecer por buscar meu carro ontem.
— Tá. Pronto. Agradeceu. Acabou? — ele apertou os dentes, pedindo outra dose com a mão.

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