A noite já ia alta quando Cassio, Maya e Bianca deixaram o bar.
Maya cambaleava, rindo alto; Cassio já estava no limite; Bianca mantinha o sorriso controlado de quem tinha um plano.
— Eu vou ser a motorista da rodada, — Bianca decretou. — Alguém tem que ter juízo aqui.
— Pelo menos UM dos três patetas. — Maya completou, gargalhando.
Cassio revirou os olhos e pediu a conta.
Sua cabeça latejava não só pelo álcool, mas pelo peso da conversa com Dorian que voltou a martelar sua mente.
Malu. Ele tinha estragado tudo.
Bianca tocou o braço dele.
— Deixa que eu levo vocês pra casa.
— Eu chamo um motorista — Maya rebateu, já mexendo no celular. — Mas acompanha o Cassio até o apartamento, por favor. Senão ele vai meter a cara no chão no meio do caminho.
Cassio bufou.
— Eu tô ótimo.
Mentira. Mas seguiriam assim de qualquer forma.
O carro chegou ao prédio.
Bianca desceu junto com ele, apoiando seu braço como se eles fossem um casal de longa data e não dois ex que mal deveriam dividir o mesmo ar.
No elevador, ela deu um sorriso torto.
— Sabe… você fica lindo bancando o responsável. Quando foi encontrar com a Maya, eu tive que resistir para não te agarrar.
Ele não respondeu.
Olhou para frente, tentando ignorar o perfume doce dela, que nunca o irritou tanto como agora.
— Você não precisa me acompanhar, eu não preciso de uma babá — Cassio disse, seco.
— Não sou sua babá — ela rebateu, rindo. — Só quero garantir que você não vai tentar abrir o apartamento da vizinha achando que é o seu.
A lembrança bateu nele como um soco.
Malu.
Baby doll.
Champanhe.
O cheiro de baunilha no pescoço dela.
Cassio respirou fundo, como quem afoga a própria memória.
O elevador parou no 24º andar.
Bianca abriu a porta do apartamento com a cópia da chave que a família dela havia feito quando os dois “quase se tornaram oficiais”.
Cassio já não tinha mais forças para se irritar com isso.
Entrou.
Ela tirou o paletó dele com cuidado, deixando-o cair sobre o sofá.
— Melhor assim, — ela murmurou, deslizando as mãos pelos ombros dele, — você sempre foi bonito demais quando está cansado.
Antes que ele percebesse, os dedos de Bianca já desciam pelos botões da camisa, abrindo um, depois outro… até revelar o peito firme dele.
E então ela se aproximou, roçando o nariz no queixo dele, a boca a milímetros da dele.
Cassio segurou a cintura dela automaticamente, no reflexo.
O corpo lembrava o que um dia existiu ali.
Mas o coração…
Não lembrava mais.
Ele a afastou.
— Imbecil.
Foi tudo que ela conseguiu dizer antes de girar nos calcanhares e sair, batendo a porta com força suficiente para estremecer o batente.
Cassio ficou parado.
Respirando fundo.
Mãos no cabelo.
O gosto amargo de algo que, um dia, tinha sido familiar demais.
O elevador desceu.
No térreo, quando as portas se abriram, Malu estava ali esperando o elevador subir.
Ainda segurando uma sacola de compras, distraída, calmíssima.
Até ver Bianca.
Mini vestido justo. Salto altíssimo. Perna exposta. Perfume marcante.
E um olhar de puro veneno disfarçado de doçura.
Bianca deu um sorriso educado sem nem imaginar quem Malu era, e passou por ela como se fosse invisível.
Mas Malu não conseguiu mover um músculo.
Seu estômago caiu.
Porque tudo aquilo… falava por si só.
Bianca saindo do apartamento dele.
Daquela forma. Aquela roupa. Aquele cheiro.
E Malu só conseguiu pensar:
“Claro. Era óbvio que ia terminar assim.”

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