O retorno ao Brasil aconteceu num piscar de olhos.
O avião pousou no fim da tarde, e assim que o sinal de liberar celulares acendeu, Francine já estava ligando.
— Amor? Já chegamos.
A voz de Dorian veio firme, mas aliviada:
— O motorista já está aí. Estou saindo do escritório, nos encontramos em casa.
— Tá, mas vou levar Malu em casa primeiro, tudo bem? Devo demorar um pouquinho mais. — ela falou.
— Sem problemas, o motorista leva as duas.
— Fechado.
Francine virou-se para Malu com um sorriso cansado.
— Vem, eu te deixo em casa. Depois vou pra mansão, Pascal já está me perturbando com “evite fritura, evite sobremesa, evite até respirar açúcar”.
As duas riram, e poucos minutos depois, Malu descia na frente do prédio.
Beijou a amiga, acenou para o motorista e ficou ali por um segundo, encarando o próprio reflexo nas portas envidraçadas, e sentindo o corpo inteiro pedir banho quente, cama e zero emoções humanas.
Mas o destino não estava aceitando pedidos naquele dia.
Quando o elevador chegou ao 3º andar, ela deu dois passos para fora… e parou.
O ar ficou pesado.
Cassio estava ali.
Encostado na parede ao lado da porta dela, segurando um buquê de flores que parecia ter custado metade do salário de alguém.
Mas era o olhar dele que realmente desarmava.
Cansado.
Ansioso.
Determinado.
Quase vulnerável.
Malu sentiu o coração bater contra as costelas como se quisesse fugir.
— Como… como você sabia que horas eu ia chegar? — ela perguntou, incapaz de controlar a voz.
O canto da boca dele subiu devagar.
— Tenho meus contatos.
Ela arqueou uma sobrancelha.
— Dorian. Claro.
Ele deu de ombros, sem negar.
Havia algo diferente nele ali. Estava mais… calmo?
Ou talvez mais decidido.
— Posso entrar? — perguntou, a voz baixa, quase sussurrada.
Ela hesitou.
— Engraçado… — ela murmurou. — Porque eu vi a Bianca saindo do seu apartamento. E não parecia término.
O maxilar de Cassio travou.
Outro passo.
— Ela me trouxe em casa porque eu estava bêbado. Eu não podia dirigir. Só isso. Mas eu dei um basta nela. Um definitivo. Não nos falamos desde então.
Silêncio.
Cassio levantou a mão com cuidado, pousando na cintura dela como se estivesse tocando algo precioso, devagar, esperando uma rejeição que não veio.
— Se você não acredita… eu provo. — Cassio sussurrou. — Todos os dias. Do jeito que você quiser. No ritmo que você quiser. Mas… não desiste de mim agora.
Malu fechou os olhos, o corpo inteiro tentando resistir e falhando miseravelmente.
Quando apoiou a testa no peito dele, Cassio soltou o ar como se tivesse prendido por semanas.
— Cassio… — ela murmurou, a voz quase quebrando. — Não me faça me arrepender do que eu estou prestes a fazer…
A mão dele subiu até a nuca dela, quente, firme, pedindo e prometendo ao mesmo tempo.
— Nunca. — ele respondeu.
Ele levantou o queixo dela com dois dedos, fazendo-a olhar pra cima.
O mundo coube naquele instante.
E finalmente…
Ele a beijou.

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