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Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras romance Capítulo 309

A manhã tinha começado de um jeito tão incomum que até os funcionários mais antigos da empresa soltaram discretos comentários.

Cassio entrou no prédio como quem atravessa o próprio reino. Terno impecável, sorriso fácil, passos leves.

A diferença era absurda.

Nas três semanas anteriores, ele parecia um executivo recém-saído de um terremoto emocional: olheiras fundas, mau humor, silêncio e café.

Muito café.

Quase tóxico.

Mas hoje?

Hoje ele cumprimentou até o segurança da garagem pelo nome.

Pegou o elevador assobiando uma música que ninguém reconheceu.

E, quando chegou ao andar da diretoria, a secretária de Dorian o encarou como quem vê um milagre registrado no ponto eletrônico.

— Bom dia, Natalia! — Cassio disse, abrindo um sorriso de propaganda de pasta de dente.

Natalia piscou.

Duas vezes.

— Bom… dia… senhor Bachinni.

Ele deu um tchauzinho e entrou na própria sala, deixando a porta aberta, mexendo em papéis, abrindo janelas, como se estivesse reorganizando o próprio humor.

Cinco minutos depois, Dorian apareceu na porta.

Bateu duas vezes no batente.

— Quem é você e o que fez com o meu vice-presidente? — perguntou, impassível, mas com um brilho curioso nos olhos.

Cassio sorriu torto.

— O original voltou, chefe.

— Aham. — Dorian cruzou os braços. — E o que tirou o zumbi das minhas planilhas?

Cassio deu de ombros, fingindo desimportância… mas o sorriso entregava tudo.

Dorian não era burro.

— Malu? — perguntou, direto.

Cassio soltou uma risada baixa, desviando o olhar para a mesa.

— Talvez.

Dorian entrou, fechou a porta com o pé e se sentou na cadeira em frente.

— “Talvez”, ele diz. Depois de três semanas com cara de viúvo de um casamento que nunca aconteceu.

Cassio passou a mão pelos cabelos, rindo.

— A gente conversou. Finalmente.

— Então resolveu? — Dorian perguntou.

Silêncio por um segundo. Um daqueles que diz mais do que qualquer frase.

— Por enquanto… sim. — Cassio confessou. — Não vou estragar de novo.

Dorian assentiu, satisfeito.

— Ótimo. Já era hora de você parar de olhar pela janela como se fosse um personagem de romance.

Cassio jogou um clipe nele, mas Dorian sequer fez menção de desviar.

— Me erra. — Cassio resmungou.

— Eu? Você que estava há semanas doente de saudade.

Cassio ia retrucar, mas o celular vibrou na mesa.

Ele olhou a tela.

A expressão mudou. Não para tristeza, mas para alerta.

Walter Diniz — chamada de voz.

Dorian ergueu uma sobrancelha.

— Vai atender?

Cassio respirou fundo e atendeu.

Cassio ficou quieto, absorvendo aquilo.

Dorian se inclinou para frente.

— E quanto ao almoço… não é uma traição ir.

— Você acha? — Cassio perguntou, com um fio de hesitação que raramente mostrava.

— Claro que não. — Dorian respondeu. — O que importa é o que você faz depois do almoço. Você já sabe qual é a sua escolha. Então vá. Olhe nos olhos de todo mundo, agradeça, seja educado. E depois siga a sua vida. Com quem você escolheu.

Aquela última frase caiu direto no peito do Cassio.

Ele respirou fundo.

— Eu não quero perder a Malu.

— Então não perca. — Dorian levantou. — Você só perde quem não luta para manter.

Cassio sorriu de lado.

— Quando foi que você virou bom conselheiro?

— Casei. — Dorian disse simplesmente.

Cassio riu, verdadeiro.

— Pior que faz sentido.

Antes de sair, Dorian apontou para a expressão animada do amigo.

— Mas devo admitir: prefiro você assim. Animado. Irritante. Metido. Dá menos medo.

Cassio riu mais forte.

— Vai trabalhar, presidente.

— Trabalhe você. Eu já faço o suficiente por dois.

E saiu, deixando Cassio sozinho na sala, encarando o celular desligado.

Sabia que domingo não seria fácil.

Mas dessa vez ele estava preparado. E decidido.

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