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Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras romance Capítulo 311

O clima na área gourmet parecia leve, com risadas, taças, o perfume da carne assando, o sol brilhando sobre a piscina, mas Cassio sabia que aquele almoço era uma arena.

E logo o gongo soou.

Depois de alguns minutos de conversa superficial, Walter estalou os dedos, chamando todos para a mesa já posta com louças claras e talheres alinhados milimetricamente.

— Vamos almoçar, pessoal! — anunciou, inflado de entusiasmo. — E já aproveitamos para colocar alguns assuntos em dia.

Cassio sentou-se entre o pai e Maya, de frente para Walter, como se a disposição dos lugares tivesse sido escolhida a dedo para deixá-lo sem rota de fuga.

O prato ainda nem tinha sido servido quando Walter inclinou o corpo para frente, apoiando os antebraços na mesa.

— Cassio, vamos falar da Villeneuve Corp. — começou, como quem abre um tabuleiro de xadrez. — Estou pensando seriamente em aplicar uma parte considerável dos meus investimentos lá. E dizem que você tem… informações precisas sobre o futuro da empresa.

Cassio engoliu um gole d’água para ganhar tempo.

— Dentro do possível, posso te dizer alguma coisa — respondeu, mantendo a voz controlada. — Mas você sabe que grande parte dos dados são confidenciais.

Walter acenou, mas o brilho insistente nos olhos dizia “não estou satisfeito com respostas curtas”.

— Claro, claro… — ele sorriu, apoiando o queixo sobre as mãos. — Só quero saber se estou investindo numa empresa que realmente vai crescer. O último balanço foi… decepcionante.

Cassio pousou os talheres com calma.

— O último balanço refletiu um período de transição — explicou, cuidadoso. — Mas os próximos cinco anos serão bem diferentes. Fechamos parcerias estratégicas fora do país, especialmente nos Estados Unidos. A Villeneuve vai se posicionar como líder do mercado se tudo seguir como planejado.

Walter se ajeitou na cadeira, satisfeito como quem ouve exatamente o que queria ouvir.

— Então é um bom negócio.

— É um bom negócio — Cassio confirmou, firme. — E se está pensando em investir, faça agora. O ponto de entrada está favorável.

O sorriso de Walter cresceu tanto que pareceu quase estalar.

— Ótimo. — Ele ergueu a taça, animado. — Já tinha intenção, sabe? Afinal, ter um genro vice-presidente de uma empresa e não investir nela… é quase uma falta de confiança, não é mesmo?

A frase caiu sobre a mesa como um prato que escorrega e se espatifa no chão.

O pai de Cassio sorriu, orgulhoso. A mãe disfarçou o brilho nos olhos.

Maya ergueu as sobrancelhas, divertida.

Bianca, do outro lado, sorriu como quem recebe confirmação de algo que julgava óbvio.

E Cassio…

Cassio respirou fundo, mantendo o semblante neutro, mas sentiu a nuca ficar quente.

— Walter… — Cassio começou, tentando manter o tom leve — não existe qualquer acordo envolvendo casamento. Eu não estou…

Mas Walter o interrompeu com uma risada calorosa.

— Ora, Cassio! — disse, erguendo o copo para um brinde que só ele celebrava. — Vamos deixar isso pra conversar depois. Hoje é um dia de celebrar possibilidades promissoras.

“Possibilidades promissoras.”

A ironia quase fez Cassio rir.

Porque a única possibilidade que ele considerava promissora naquele momento… era a de sair dali vivo, dizer a verdade, e colocar Bianca e toda aquela pressão longe da vida dele de uma vez por todas.

E de repente, com uma clareza cortante, ele percebeu que precisava mesmo falar.

A mesa toda achava que ele era o futuro genro da família.

Dante franziu a testa.

— Como assim… outra pessoa? — perguntou, incrédulo. — E por que não avisou a sua família?

Cassio inspirou fundo.

— Porque é um assunto pessoal — respondeu. — E não diz respeito a mais ninguém além de mim… e dela.

A frase não deixou espaço para debate.

Walter, o mais orgulhoso e o que mais queria essa união, manteve os lábios apertados, absorvendo o golpe como um homem que não estava acostumado a receber “não”.

Doía, mas ele não permitiu que transparecesse mais que o olhar decepcionado.

Bianca virou lentamente para Maya, procurando alguma explicação, alguma traição, qualquer sinal de que a amiga soubesse.

Maya apenas abriu as mãos, com uma expressão sincera:

“Eu também não sabia.”

E então, a única pessoa com algum instinto de socorro social tomou a palavra:

— Gente, que clima horrível… — disse Alexandra, mãe de Bianca, tentando sorrir. — Vamos adoçar um pouco isso? Eu vou pedir a sobremesa. Vocês podem conversar sobre… qualquer assunto que não seja esse. Certo?

Ninguém respondeu.

Mas a sobremesa foi servida mesmo assim.

E enquanto todos fingiam normalidade, Cassio sabia: pelo menos o curativo tinha sido arrancado.

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