O clima na área gourmet parecia leve, com risadas, taças, o perfume da carne assando, o sol brilhando sobre a piscina, mas Cassio sabia que aquele almoço era uma arena.
E logo o gongo soou.
Depois de alguns minutos de conversa superficial, Walter estalou os dedos, chamando todos para a mesa já posta com louças claras e talheres alinhados milimetricamente.
— Vamos almoçar, pessoal! — anunciou, inflado de entusiasmo. — E já aproveitamos para colocar alguns assuntos em dia.
Cassio sentou-se entre o pai e Maya, de frente para Walter, como se a disposição dos lugares tivesse sido escolhida a dedo para deixá-lo sem rota de fuga.
O prato ainda nem tinha sido servido quando Walter inclinou o corpo para frente, apoiando os antebraços na mesa.
— Cassio, vamos falar da Villeneuve Corp. — começou, como quem abre um tabuleiro de xadrez. — Estou pensando seriamente em aplicar uma parte considerável dos meus investimentos lá. E dizem que você tem… informações precisas sobre o futuro da empresa.
Cassio engoliu um gole d’água para ganhar tempo.
— Dentro do possível, posso te dizer alguma coisa — respondeu, mantendo a voz controlada. — Mas você sabe que grande parte dos dados são confidenciais.
Walter acenou, mas o brilho insistente nos olhos dizia “não estou satisfeito com respostas curtas”.
— Claro, claro… — ele sorriu, apoiando o queixo sobre as mãos. — Só quero saber se estou investindo numa empresa que realmente vai crescer. O último balanço foi… decepcionante.
Cassio pousou os talheres com calma.
— O último balanço refletiu um período de transição — explicou, cuidadoso. — Mas os próximos cinco anos serão bem diferentes. Fechamos parcerias estratégicas fora do país, especialmente nos Estados Unidos. A Villeneuve vai se posicionar como líder do mercado se tudo seguir como planejado.
Walter se ajeitou na cadeira, satisfeito como quem ouve exatamente o que queria ouvir.
— Então é um bom negócio.
— É um bom negócio — Cassio confirmou, firme. — E se está pensando em investir, faça agora. O ponto de entrada está favorável.
O sorriso de Walter cresceu tanto que pareceu quase estalar.
— Ótimo. — Ele ergueu a taça, animado. — Já tinha intenção, sabe? Afinal, ter um genro vice-presidente de uma empresa e não investir nela… é quase uma falta de confiança, não é mesmo?
A frase caiu sobre a mesa como um prato que escorrega e se espatifa no chão.
O pai de Cassio sorriu, orgulhoso. A mãe disfarçou o brilho nos olhos.
Maya ergueu as sobrancelhas, divertida.
Bianca, do outro lado, sorriu como quem recebe confirmação de algo que julgava óbvio.
E Cassio…
Cassio respirou fundo, mantendo o semblante neutro, mas sentiu a nuca ficar quente.
— Walter… — Cassio começou, tentando manter o tom leve — não existe qualquer acordo envolvendo casamento. Eu não estou…
Mas Walter o interrompeu com uma risada calorosa.
— Ora, Cassio! — disse, erguendo o copo para um brinde que só ele celebrava. — Vamos deixar isso pra conversar depois. Hoje é um dia de celebrar possibilidades promissoras.
“Possibilidades promissoras.”
A ironia quase fez Cassio rir.
Porque a única possibilidade que ele considerava promissora naquele momento… era a de sair dali vivo, dizer a verdade, e colocar Bianca e toda aquela pressão longe da vida dele de uma vez por todas.
E de repente, com uma clareza cortante, ele percebeu que precisava mesmo falar.
A mesa toda achava que ele era o futuro genro da família.

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