A sobremesa chegou, mas ninguém parecia realmente com vontade de comer.
Walter mexia a colher no creme de limão com a expressão distante, o maxilar travado de desapontamento.
Quando finalmente ergueu os olhos para Cassio, não havia raiva explícita… apenas uma decepção quieta, pesada.
— Cassio — começou, num tom polido, quase diplomático demais — eu respeito sua escolha. Mas… não vou mentir. Estou decepcionado.
Cassio manteve a postura, mesmo sentindo o peso deslizar até os ombros.
— Eu sabia que você ficaria — respondeu, firme, porém educado. — Por isso não quis falar antes de ter certeza do que eu queria.
Walter assentiu devagar.
— Você sempre foi como um filho pra nós. Esperávamos que fizesse parte da família de maneira definitiva, mas… cada um sabe do seu caminho.
Cassio respirou fundo.
Ele precisava terminar o que tinha começado, por mais desconfortável que fosse.
— Walter… — disse, endireitando-se na cadeira. — Você me ofereceu uma chance quando ninguém sabia quem eu era. Indicou meu nome para o Dorian quando ele precisava de alguém de confiança no setor financeiro. Eu nunca esqueci isso. E sou grato. Muito.
Houve um breve brilho nos olhos de Walter, de orgulho misturado com mágoa.
Cassio continuou:
— E é exatamente por essa gratidão que eu estou sendo transparente. Hoje, com o que conversamos sobre a empresa, com as informações que eu dei e que só um vice-presidente poderia explicar… — ele endireitou os ombros — considero que a dívida está paga.
Um silêncio frio cortou a mesa.
Walter assentiu devagar, com o queixo rígido.
— Entendo. — disse ele.
Não era verdade. Mas era o máximo que ofereceria ali.
Bianca desviou o rosto, tentando esconder a raiva que lhe queimava o estômago.
Cassio levantou-se pouco depois, alegando que precisava ir e foi precisamente nesse momento que Maya apareceu, quase tropeçando de propósito na própria pressa.
— Eu posso saber por que DIABOS você não me contou que estava namorando? — ela explodiu, indignada. — Sabe quantas horas da minha vida eu perdi tentando juntar você e a Bianca?!
Cassio ergueu uma sobrancelha.
— Quem mandou você se meter?
— Você não poderia ter dado um aviso? Uma bandeirinha? Um sinalzinho?!
— Maya… — Cassio suspirou. — O namoro é recente. Muito recente. Eu ia contar quando tivesse algo sólido. De qualquer forma, agora todo mundo sabe.
— Mas quem é? — Maya insistiu, aproximando-se como repórter curiosa. — Onde mora? Onde se conheceram? Ela é bonita? Ela trabalha com o quê? Já conheceu nossos pais? Vocês estão juntos há quanto temp—
Os olhos de Bianca brilharam como quem vê uma oportunidade.
— Recente…? — repetiu, com um sorriso que não era nada simpático. — Então ainda dá tempo.
Maya virou de lado, animada demais.
— Exatamente o que eu pensei — ela respondeu — Tipo… não é como se fosse um noivado. Ou sei lá, uma coisa séria.
— E ele não disse quem é?
— Não. Ele tá cheio de mistério. Disse que um dia vai apresentar. Mas, amiga… — Maya inclinou-se, sorriso malicioso — se ele não apresentou ainda, é porque ainda não é definitiva. Nada que não possa ser… revertido.
Bianca sorriu, aquele sorriso doce que nunca chegava aos olhos.
— Ele ainda não percebeu, Maya… — Ela cruzou as pernas devagar. — …mas eu não vou perder tão fácil o que é meu.
Maya riu cúmplice, batendo a mão na da amiga como duas vilãs de novela que acabaram de traçar o início perfeito para uma armadilha.
— Então vamos pensar em alguma coisa?
Bianca inclinou a cabeça, o olhar afiado como lâmina.
— Vamos. Porque se ele acha que terminou comigo… — Ela levantou o queixo, confiante. — …é porque ainda não viu o que eu sou capaz de fazer pra ter Cassio Bachinni de volta.
E ali, entre uma espreguiçadeira ensolarada e uma sobremesa intocada, a conspiração começou.

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