A semana passou devagar, como se desse tempo para Malu e Cassio se conhecerem melhor.
No domingo Malu estava encolhida no sofá, pernas dobradas sob o corpo, a cabeça apoiada no ombro de Cássio.
Ele, por sua vez, tinha um braço relaxado em volta dela, os dedos desenhando movimentos distraídos na pele do braço dela, como se quisesse memorizar aquele instante.
Malu soltou um suspiro satisfeito.
— Se toda semana fosse assim, eu assinava — ela comentou, sem tirar os olhos da tela.
Cássio sorriu, inclinando o rosto para beijar o topo da cabeça dela.
— Eu também.
O celular dele vibrou em cima da mesa de centro. Uma vez. Duas. Três.
Cássio franziu o cenho, esticando o braço para pegar o aparelho.
O nome piscando na tela fez o sorriso desaparecer.
MAYA.
Ele hesitou. O telefone vibrou de novo. Insistente.
— Eu preciso atender — Cassio disse, já com um pressentimento ruim. — Ela não liga assim sem motivo.
Atendeu.
— O que foi agora, Maya?
Do outro lado, a voz veio trêmula, entrecortada.
— Cássio… eu preciso de você. Agora.
Malu ergueu a cabeça, alerta.
— Maya, fala direito. O que aconteceu?
— Eu… eu tô passando mal. Muito mal. Tô com enjoo, tontura, dor no estômago… — ela respirou fundo, como se estivesse tentando não chorar. — Eu acho que preciso ir pro hospital.
Cássio fechou os olhos por um segundo.
— Então liga pra Bianca.
— Não dá. — a resposta veio rápida demais. — Ela tá num compromisso. Importante. Não pode sair agora.
— Então liga pros nossos pais.
— Não! — Maya praticamente gritou. — Não, por favor. Não quero alarmar ninguém antes de ter certeza.
O silêncio do outro lado da linha durou só um segundo a mais do que o necessário.
— Certeza de quê? — ele perguntou, já sentindo o estômago afundar.
A resposta veio baixa, quase um sussurro.
— Eu acho que tô grávida.
Cássio passou a mão pelo rosto inteiro, em um gesto cansado.
— Grávida, Maya? — a voz dele subiu um tom. — Você não tem juízo nenhum! Puta que pariu…
Malu se afastou devagar, sentando no sofá, observando o rosto dele mudar.
— Onde você tá? — ele perguntou, já se levantando.
— Vou te mandar a localização.
— Me espera. Eu já vou.
Ele desligou antes que ela respondesse.
Malu se levantou também.
— O que aconteceu?
— Minha irmã. — ele respondeu rápido, já pegando as chaves. — Preciso levar ela ao hospital.
— Agora?
— Agora. — ele se aproximou, segurou o rosto de Malu com as duas mãos e beijou a testa dela. — Me desculpa. Eu volto assim que puder.
Ela assentiu, compreensiva, mesmo com o incômodo crescendo no peito.
— Vai. Depois me avisa, tá?
— Me desculpa por sair assim. Eu prometo compensar.
Ele deu um beijo rápido nela, mais apressado do que gostaria, e saiu.
O hospital estava frio como sempre: luzes brancas, corredores longos, cheiro de antisséptico.
— Não vai. — ela sorriu. — Prometo.
O sol já começava a nascer quando o médico voltou ao quarto.
— Maya, os exames indicam que não é gravidez. — ele disse, num tom neutro. — Provavelmente foi uma intoxicação alimentar. Mesmo assim, não é recomendado que você fique sozinha hoje. Pode passar mal novamente.
Cássio passou a mão pelos cabelos, aliviado e irritado ao mesmo tempo.
— Então vamos embora.
Enquanto ele falava com o médico, Maya se aproximou.
— Cassio… posso usar seu celular rapidinho? O meu morreu. Queria avisar a Bianca que tá tudo bem.
— Usa aí.
Ele entregou o celular sem pensar.
Maya foi rápida.
Abriu as conversas recentes.
Encontrou um nome salvo sem sobrenome.
Malu.
Digitou com cuidado, imitando o jeito seco dele.
“Você tem algum analgésico aí? Esqueci de comprar e tô com dor de cabeça. Se puder deixar no apê, a porta vai ficar aberta enquanto eu tomo banho.”
Enviou.
Apagou a conversa.
Devolveu o celular.
— Vou ao banheiro. — disse, levantando-se devagar. — Dor de barriga…
Assim que fechou a porta, tirou o próprio celular do bolso.
“Tudo correndo conforme combinado. Ele vai me levar em casa. Você tem meia hora. Ela já deve estar chegando.”
Enviou.
A peça final estava em movimento.

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