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Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras romance Capítulo 317

Malu chegou à mansão de Francine e Dorian com uma pequena mochila nas costas e a sensação de que o próprio corpo pesava uma tonelada.

Cada passo pelo caminho de pedras até a porta principal parecia exigir um esforço desproporcional, como se a gravidade tivesse aumentado só para ela.

O rosto estava inchado, os olhos ardendo, e a garganta apertada denunciava que o choro tinha sido contido à força durante todo o trajeto.

Antes mesmo de tocar a campainha, a porta se abriu.

Francine apareceu descalça, vestindo um robe leve, o cabelo preso de qualquer jeito, claramente não estava esperando visita alguma naquela manhã.

O olhar dela encontrou o de Malu… e bastou isso.

Malu não disse uma palavra.

A mochila escorregou do ombro e caiu no chão no mesmo instante em que ela se jogou nos braços da amiga, desmoronando ali mesmo, no hall de entrada.

O choro veio forte, descontrolado, daquele tipo que sai do fundo do peito e dói fisicamente.

Francine ainda levou alguns segundos para processar o que estava acontecendo, mas não tentou entender, não fez perguntas, não pediu explicações.

Apenas envolveu Malu com os braços, firme, como quem segura alguém à beira de um abismo.

— Calma… calma… — murmurou, passando a mão pelos cabelos dela, num gesto quase maternal. — Você tá segura aqui.

Malu se agarrou a ela como se tivesse medo de cair se soltasse.

Quando o choro finalmente começou a perder força, Francine a conduziu até a sala de estar.

O sofá imenso, claro e absurdamente confortável parecia ter sido feito sob medida para acolher tragédias emocionais.

Francine se sentou primeiro e puxou Malu com cuidado, deixando que ela repousasse a cabeça em seu colo.

Um dos funcionários apareceu em silêncio, como se entendesse exatamente o tipo de momento que era aquele, e deixou uma bandeja sobre a mesa de centro: chá quente, xícaras delicadas, biscoitos simples.

Francine agradeceu com um aceno e esperou.

Só quando sentiu o corpo de Malu um pouco menos tenso é que falou, com a voz baixa, firme e carinhosa ao mesmo tempo.

— Malu… senta direitinho. Toma um pouco de chá. Vai ajudar a acalmar.

— Depois… — Malu murmurou, a voz falha.

— Agora. — Francine insistiu, gentil. — E depois você me conta. Mas me conta de verdade.

Malu se endireitou devagar, segurou a xícara com as duas mãos, como se aquele calor fosse a única coisa mantendo-a inteira.

Respirou fundo.

E começou.

Contou sobre a noite que parecia perfeita.

Sobre o filme, o sofá, o beijo antes de ele sair.

Sobre a ligação da irmã.

Sobre ele pedindo desculpas, prometendo que voltava logo.

Depois, sobre o silêncio.

A ausência de mensagens.

A sensação estranha ao acordar sozinha.

A mensagem da manhã seguinte pedindo o remédio.

— E… — ela perguntou com cuidado. — Ele tentou se explicar? Deu alguma desculpa?

Malu balançou a cabeça negativamente.

— Eu não sei. E nem quero saber. — respondeu rápido. — Cássio é muito bom com palavras. E eu gosto dele. Esse é o problema.

Ela soltou um riso curto, sem humor.

— Se ele inventar uma mentira mais cabeluda que o Chewbacca, é capaz de eu acreditar. Eu não quero ouvir. Quero sumir.

Francine se aproximou um pouco mais, tocando de leve o braço da amiga.

— Você pode ficar aqui. — disse, antes mesmo de Malu pedir.

Malu levantou o olhar, surpresa e aliviada ao mesmo tempo.

— Eu… posso? — a voz saiu pequena. — Eu não quero correr o risco de encontrar com ele de novo. Nem no elevador, nem na rua, nem em lugar nenhum. Pelo menos até eu conseguir respirar.

— Malu… — Francine segurou o rosto dela com as duas mãos. — Você pode ficar o tempo que quiser. Aqui é sua casa. Todo mundo aqui ama você. Ama sua presença. Ama sua companhia.

Malu deixou uma lágrima escapar, dessa vez silenciosa.

— Obrigada. — sussurrou. — Eu vou pedir pra alguém buscar minhas coisas no apartamento. Não quero voltar lá.

— Isso a gente resolve depois. — Francine disse com firmeza. — Agora você vai tomar café comigo, vai se distrair um pouco… e vai lembrar que você existe fora disso tudo.

Ela se levantou e estendeu a mão.

— Vem. Hoje, você não tá sozinha.

Malu respirou fundo, assentiu… e sentiu que talvez conseguisse sobreviver ao dia.

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