Malu chegou à mansão de Francine e Dorian com uma pequena mochila nas costas e a sensação de que o próprio corpo pesava uma tonelada.
Cada passo pelo caminho de pedras até a porta principal parecia exigir um esforço desproporcional, como se a gravidade tivesse aumentado só para ela.
O rosto estava inchado, os olhos ardendo, e a garganta apertada denunciava que o choro tinha sido contido à força durante todo o trajeto.
Antes mesmo de tocar a campainha, a porta se abriu.
Francine apareceu descalça, vestindo um robe leve, o cabelo preso de qualquer jeito, claramente não estava esperando visita alguma naquela manhã.
O olhar dela encontrou o de Malu… e bastou isso.
Malu não disse uma palavra.
A mochila escorregou do ombro e caiu no chão no mesmo instante em que ela se jogou nos braços da amiga, desmoronando ali mesmo, no hall de entrada.
O choro veio forte, descontrolado, daquele tipo que sai do fundo do peito e dói fisicamente.
Francine ainda levou alguns segundos para processar o que estava acontecendo, mas não tentou entender, não fez perguntas, não pediu explicações.
Apenas envolveu Malu com os braços, firme, como quem segura alguém à beira de um abismo.
— Calma… calma… — murmurou, passando a mão pelos cabelos dela, num gesto quase maternal. — Você tá segura aqui.
Malu se agarrou a ela como se tivesse medo de cair se soltasse.
Quando o choro finalmente começou a perder força, Francine a conduziu até a sala de estar.
O sofá imenso, claro e absurdamente confortável parecia ter sido feito sob medida para acolher tragédias emocionais.
Francine se sentou primeiro e puxou Malu com cuidado, deixando que ela repousasse a cabeça em seu colo.
Um dos funcionários apareceu em silêncio, como se entendesse exatamente o tipo de momento que era aquele, e deixou uma bandeja sobre a mesa de centro: chá quente, xícaras delicadas, biscoitos simples.
Francine agradeceu com um aceno e esperou.
Só quando sentiu o corpo de Malu um pouco menos tenso é que falou, com a voz baixa, firme e carinhosa ao mesmo tempo.
— Malu… senta direitinho. Toma um pouco de chá. Vai ajudar a acalmar.
— Depois… — Malu murmurou, a voz falha.
— Agora. — Francine insistiu, gentil. — E depois você me conta. Mas me conta de verdade.
Malu se endireitou devagar, segurou a xícara com as duas mãos, como se aquele calor fosse a única coisa mantendo-a inteira.
Respirou fundo.
E começou.
Contou sobre a noite que parecia perfeita.
Sobre o filme, o sofá, o beijo antes de ele sair.
Sobre a ligação da irmã.
Sobre ele pedindo desculpas, prometendo que voltava logo.
Depois, sobre o silêncio.
A ausência de mensagens.
A sensação estranha ao acordar sozinha.
A mensagem da manhã seguinte pedindo o remédio.

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