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Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras romance Capítulo 320

Malu acordou com a luz suave entrando pelas frestas da cortina do quarto da mansão. Por alguns segundos, ficou imóvel, tentando se localizar. O teto alto, o quarto amplo, o silêncio diferente.

Não era o apartamento dela.

Virou o rosto e deu de cara com caixas empilhadas perto da parede, algumas ainda abertas, com livros, roupas e pequenos objetos que tinham pertencido a uma vida que agora parecia distante.

Aquilo doeu mais do que ela esperava.

Suspirou, se levantou devagar e seguiu para o banheiro.

Um banho rápido, quase automático, só para espantar o peso do corpo.

Quando saiu, vestiu uma roupa confortável e desceu.

Na cozinha, o cheiro de café fresco a encontrou antes mesmo de ver alguém.

Jonas estava encostado no balcão, mexendo distraidamente uma panela pequena no fogão.

Usava o uniforme da cozinha, mangas dobradas, e parecia completamente à vontade naquele espaço que, semanas atrás, ainda não era dele.

— Bom dia — ela disse, com a voz ainda rouca de sono.

Ele se virou e sorriu, daquele jeito tranquilo que não exigia nada.

— Bom dia. Dormiu melhor?

Malu deu de ombros.

— O suficiente.

Ela pegou uma xícara e se serviu de café, apoiando o quadril no balcão.

— Queria te agradecer… — começou. — Por ter ido buscar minhas coisas no apartamento. Sei que era sua folga.

— Não foi nada — ele respondeu com naturalidade. — Você pode pedir ajuda sempre que precisar, Malu. De verdade.

Ela assentiu, mexendo o café sem necessidade.

— Mesmo assim… obrigada.

Houve um pequeno silêncio confortável entre os dois, até Jonas quebrá-lo:

— Aliás… — ele coçou a nuca, meio sem jeito. — Na minha próxima folga, você podia me agradecer com aquele jantar que a gente nunca conseguiu ter desde a Itália.

Malu soltou um meio riso cansado.

— Jonas… eu não tô com muita cabeça pra sair de casa.

— Então a gente faz algo simples. Sem pressão. — Ele deu de ombros. — Às vezes sair um pouco ajuda mais do que ficar pensando demais.

Ela pensou por alguns segundos.

— Tá — respondeu, por fim. — Um jantar. Mas nada chique.

— Prometo não impressionar — ele brincou.

Pouco depois, os dois terminaram de organizar o café e levaram tudo para a sala de jantar.

Francine já estava lá, sentada à mesa, com um prato à frente e o celular largado de lado, o que, por si só, já dizia muito.

Despediu-se de Francine mais uma vez e saiu.

Malu acompanhou a cena com os olhos marejados.

— Deve ser maravilhoso… — murmurou. — Ter alguém que te ama assim, de verdade.

Francine se levantou e a abraçou sem dizer nada de imediato.

— E você vai ter isso também — disse, por fim. — Nem que pra isso a gente tenha que viajar pra Nova York e encontrar alguém lá.

Malu ergueu o rosto, surpresa.

— Nova York?

— Daqui a alguns dias. Duas semanas de agenda lá. — Francine sorriu de leve. — E depois disso… acho que vou dar uma pausa nas viagens internacionais.

— Mas sua barriga nem começou a aparecer direito…

— Mesmo assim. — Francine olhou para a barriga. — Eu não quero ficar longe de casa agora. Não com o bebê.

Malu assentiu, absorvendo aquilo.

Quando ficou sozinha mais tarde, voltou para o quarto e sentou no meio das caixas. Pegou um objeto qualquer, uma caneca antiga, uma lembrança sem valor real, e percebeu que não estava chorando.

Mas também não estava pronta pra voltar.

E entendeu que talvez ficar ali, quieta, reconstruindo aos poucos, fosse exatamente o que ela precisava.

Mesmo que doesse.

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