Malu acordou com a luz suave entrando pelas frestas da cortina do quarto da mansão. Por alguns segundos, ficou imóvel, tentando se localizar. O teto alto, o quarto amplo, o silêncio diferente.
Não era o apartamento dela.
Virou o rosto e deu de cara com caixas empilhadas perto da parede, algumas ainda abertas, com livros, roupas e pequenos objetos que tinham pertencido a uma vida que agora parecia distante.
Aquilo doeu mais do que ela esperava.
Suspirou, se levantou devagar e seguiu para o banheiro.
Um banho rápido, quase automático, só para espantar o peso do corpo.
Quando saiu, vestiu uma roupa confortável e desceu.
Na cozinha, o cheiro de café fresco a encontrou antes mesmo de ver alguém.
Jonas estava encostado no balcão, mexendo distraidamente uma panela pequena no fogão.
Usava o uniforme da cozinha, mangas dobradas, e parecia completamente à vontade naquele espaço que, semanas atrás, ainda não era dele.
— Bom dia — ela disse, com a voz ainda rouca de sono.
Ele se virou e sorriu, daquele jeito tranquilo que não exigia nada.
— Bom dia. Dormiu melhor?
Malu deu de ombros.
— O suficiente.
Ela pegou uma xícara e se serviu de café, apoiando o quadril no balcão.
— Queria te agradecer… — começou. — Por ter ido buscar minhas coisas no apartamento. Sei que era sua folga.
— Não foi nada — ele respondeu com naturalidade. — Você pode pedir ajuda sempre que precisar, Malu. De verdade.
Ela assentiu, mexendo o café sem necessidade.
— Mesmo assim… obrigada.
Houve um pequeno silêncio confortável entre os dois, até Jonas quebrá-lo:
— Aliás… — ele coçou a nuca, meio sem jeito. — Na minha próxima folga, você podia me agradecer com aquele jantar que a gente nunca conseguiu ter desde a Itália.
Malu soltou um meio riso cansado.
— Jonas… eu não tô com muita cabeça pra sair de casa.
— Então a gente faz algo simples. Sem pressão. — Ele deu de ombros. — Às vezes sair um pouco ajuda mais do que ficar pensando demais.
Ela pensou por alguns segundos.
— Tá — respondeu, por fim. — Um jantar. Mas nada chique.
— Prometo não impressionar — ele brincou.
Pouco depois, os dois terminaram de organizar o café e levaram tudo para a sala de jantar.
Francine já estava lá, sentada à mesa, com um prato à frente e o celular largado de lado, o que, por si só, já dizia muito.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras