Cássio ficou de pé diante dos monitores como se estivesse prestes a assistir à própria sentença.
O porteiro puxou as gravações, ajustando os horários conforme ele pedia.
— Começa pelo corredor do terceiro andar — Cássio disse, com a voz baixa. — Pela manhã.
A imagem apareceu.
O corredor silencioso.
A porta do apartamento 302 se abriu.
Malu saiu alguns segundos depois.
Ela caminhava devagar, vestida de forma simples, o cabelo preso de qualquer jeito. Parou em frente à porta do elevador e apertou o botão.
Cássio franziu o cenho.
— Ela não está com mochila — murmurou, mais para si do que para o outro. — Mas você disse que ela saiu com uma.
— Saiu sim — confirmou o porteiro. — Tenho certeza. Mochila preta, pequena. Nas costas.
O coração dele acelerou.
— Então puxa a câmera do elevador.
A imagem mudou.
O elevador abriu no terceiro andar.
Malu entrou.
E então… apertou o botão do 24º andar.
O ar pareceu faltar nos pulmões dele.
— O que… — murmurou. — O que ela foi fazer no meu apartamento?
— Quer que eu puxe o corredor da cobertura? — o porteiro perguntou, cauteloso.
— Agora.
A gravação mostrou Malu caminhando até a porta do apartamento dele.
Entrando.
Cássio se inclinou para frente, tenso.
— Dá zoom aí.
A câmera mostrava claramente. Malu só empurrou a porta.
— Como ela entrou? — murmurou, atordoado. — Eu tenho certeza que tranquei quando saí…
Os minutos passaram rápido demais.
Então a porta se abriu de novo.
Malu saiu.
Não andando. Quase correndo.
O corpo rígido. O rosto devastado.
— Volta pro elevador — Cássio pediu, com a voz já rouca.
A imagem mostrou Malu apertando o botão do 3° andar com força demais.
Assim que as portas se fecharam, ela levou a mão ao rosto.
Chorava.
O telefone colado ao ouvido.
— Meu Deus… — Cássio sussurrou, sentindo o peito apertar. — O que aconteceu lá dentro?

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