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Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras romance Capítulo 323

Cássio terminou de tomar banho como se tivesse lavado a alma.

O espelho refletia um rosto diferente do homem de dias atrás. Ainda cansado, sim, mas agora havia foco.

Controle.

Saiu do banheiro e encontrou o chaveiro que terminava de apertar os últimos parafusos da fechadura nova.

— Pronto, senhor. — disse o homem. — Só essas chaves funcionam agora.

Cássio pegou o molho, testou uma vez, duas.

— Obrigado.

Assim que ficou sozinho, vestiu o paletó, pegou o celular e saiu em direção ao hospital em que Maya havia sido atendida.

Foi direto ao balcão de atendimento.

— Bom dia. — disse, educado. — Preciso falar com o doutor Lucas. Assunto pessoal.

A atendente digitou algo no computador.

— Ele está em atendimento no momento…

Cássio sorriu de canto, aquele sorriso treinado em reuniões difíceis.

— Eu espero. — disse. — Ou posso falar com a coordenação médica sobre o plantão da última semana.

Ela ergueu os olhos, avaliando.

— Vou ver se consigo chamá-lo.

Minutos depois, uma enfermeira apareceu e pediu que ele aguardasse perto do corredor dos consultórios.

Lucas surgiu alguns instantes depois.

Reconheceu Cássio no mesmo segundo.

— Senhor Bachinni… — disse com um sorriso que tentava esconder a tensão — Algum problema com os exames da sua irmã?

— Vamos conversar ali. — Cassio apontou para uma sala vazia.

Lucas hesitou por um instante, mas entrou.

Assim que a porta se fechou, o clima mudou.

Cássio cruzou os braços.

— Não vou perder tempo. — disse, direto. — Eu sei que a minha irmã te pagou pra mantê-la internada aquela noite inteira.

Lucas abriu a boca para responder, mas Cássio continuou.

— Também sei que não havia indicação clínica real pra isso. — deu um passo à frente. — E sei que, enquanto você “ganhava uma grana”, eu estava preso aqui… enquanto a vida pessoal que eu estava tentando construir era destruída.

O médico engoliu seco.

— Eu… — tentou. — Isso não é bem assim…

— É exatamente assim. — Cássio cortou, a voz baixa, controlada. — E agora você vai me ouvir com muita atenção.

Lucas sentiu o peso do silêncio.

— Você tem duas opções. — Cássio disse. — A primeira: você me fornece, oficialmente, um documento e as imagens internas que comprovem que eu permaneci aqui a noite inteira como acompanhante da paciente Maya Bachinni. Horários. Registros. Tudo.

— Eu não posso simplesmente…

— Pode. — Cássio interrompeu. — Porque se não puder, vamos para a segunda opção.

Ele se inclinou levemente, aproximando o rosto.

— Eu abro uma denúncia formal. — disse, pausado. — No hospital. Na polícia. No CRM. Com advogado. Com perícia. Com a palavra “suborno” escrita em letras bem grandes.

Lucas empalideceu.

— Isso destruiria minha carreira…

— Exato. — Cássio assentiu. — E o dinheiro que a minha irmã te pagou não compra um juiz. O meu, sim.

O médico passou a mão pelo rosto, nervoso.

— Eu… eu posso conseguir os registros do setor de segurança. — disse, por fim. — Vai levar algumas horas.

— Você tem até o fim do dia. — respondeu Cássio. — Depois disso, eu paro de conversar.

Lucas assentiu, derrotado.

Cássio abriu a porta.

Antes de sair, voltou-se uma última vez.

— Só pra deixar claro: isso não é vingança. — disse. — É reparação.

Lucas saiu da sala logo depois dele e reapareceu no início da noite.

A recepcionista chamou Cássio discretamente.

— O doutor Lucas está lhe aguardando na sala administrativa.

Ele se levantou sem pressa e caminhou até lá.

— Transtorno é atraso em voo. — disse. — O que aconteceu comigo foi uma armação.

Silêncio.

Lucas não teve coragem de responder.

Cássio abriu a porta, mas antes de sair, parou.

— Só mais uma coisa. — disse, sem se virar. — Se a minha irmã te procurar de novo… não atende.

A porta se fechou atrás dele.

No estacionamento, Cássio entrou no carro, conectou o pen drive ao sistema multimídia e abriu o primeiro arquivo.

A imagem granulada mostrou a porta de entrada do hospital.

E lá estava ele.

Passos rápidos. Olhar preocupado.

O relógio marcava 22h47.

Pulou para o próximo vídeo.

Corredor do setor de observação.

Maya sentada na maca. Ele em pé ao lado, braços cruzados, falando com uma enfermeira.

Avançou.

03h12 da manhã.

Ele sentado numa cadeira dura, cabeça apoiada na parede, claramente exausto.

Avançou de novo.

08h12.

Os dois saindo juntos. Ele segurando o braço da irmã. Ela andando perfeitamente bem.

Cássio desligou a tela.

Encostou a cabeça no banco do carro e fechou os olhos por alguns segundos.

Não era alívio.

Era fúria organizada.

Agora ele tinha o que precisava.

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