Cássio escolheu um restaurante com cuidado.
Não era sofisticado demais, nem íntimo demais.
Mesas espaçadas, iluminação morna, música baixa o suficiente para não exigir conversa, perfeita para quem precisava dizer algo difícil sem plateia.
Pra ele, o mais importante era ser perto da cafeteria onde encontraria Bianca mais tarde.
Maya chegou alguns minutos atrasada, como sempre.
Vestia um vestido curto demais para um almoço que já caminhava para o início da tarde, óculos escuros mesmo sem sol, o celular colado à mão.
Abriu um sorriso largo assim que o viu, como se nada tivesse acontecido.
— Finalmente resolveu sair comigo — disse, sentando-se sem pedir licença. — Achei que você tivesse me abandonado de vez.
Cássio apenas assentiu com a cabeça.
Esperou que ela pedisse algo para beber, esperou o garçom se afastar, esperou o silêncio se acomodar entre os dois.
Então falou.
— Eu queria te apresentar a Malu.
Maya congelou por um segundo. Foi quase imperceptível, mas ele viu. O sorriso não caiu, mas endureceu.
— Apresentar? — ela repetiu, fingindo naturalidade. — Tipo… apresentação oficial?
— Sim. — Ele sorriu de leve, um sorriso que não tinha orgulho, mas afeto. — Achei que você fosse gostar dela.
Maya inclinou a cabeça, curiosa, desconfiada.
— E por que eu gostaria?
Cássio respirou fundo, como quem decide atravessar uma ponte sabendo que ela vai ruir atrás de si.
— Porque ela é tudo o que você sempre disse admirar numa pessoa — começou. — Forte, direta, engraçada sem esforço. Eu conheci a Malu num leilão, com o Dorian. Achei que ela fosse modelo de tão linda que era. Depois descobri que era cozinheira na mansão dele.
Os olhos dele brilharam sem pedir permissão.
— A primeira vez que comi algo feito por ela foi na casa da Francine. E, por coincidência, era exatamente aquele prato que você sempre amou, frango com molho cremoso. Lembra? Aquele que você pedia toda vez que a gente ia no Cami Restô.
Maya engoliu seco.
— Coincidência — murmurou.
— Talvez. — Ele deu de ombros. — Ou talvez ela só seja incrível mesmo.
Maya mexeu no copo, inquieta.
Cássio continuou, como se estivesse contando uma história para si mesmo.
— Depois a gente se reencontrou em Paris, no casamento do Dorian. Ela estava linda… e completamente fora de si depois de beber demais. Igual você era quando completou dezoito anos. No dia seguinte, ela acordou apavorada, achando que tinha feito algo que não lembrava. Eu levei ela para andar no Jardin du Luxembourg pra acalmar.
Maya ergueu os olhos devagar.
— O jardim?
— É. — Ele sorriu, nostálgico. — O mesmo da nossa primeira viagem internacional, onde a gente brincava de corrida de barcos quando era criança. Lembra?
O silêncio pesou.
— Engraçado — ele continuou — como algumas pessoas entram na nossa vida sem forçar nada. Como se já pertencessem ali.
Maya desviou o olhar.
— E… quando você decidiu que queria namorar com ela? — perguntou, com a voz mais baixa.
— No aniversário do Dorian. — respondeu ele. — Inclusive eu pensei que você ia gostar de saber que ela ama festas surpresa. Achei que, quando chegasse o seu aniversário, vocês iam se dar bem. Ela teria feito algo lindo pra você.
Ele parou.

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