Assim que saiu do restaurante, Cássio caminhou alguns metros pela mesma calçada até a cafeteria onde havia combinado de encontrar Bianca.
Não escolheu o lugar por acaso.
Ele queria que Maya não tivesse tempo de avisar a ela o que tinha acontecido.
Bianca já estava sentada, mexendo distraída no celular, quando ele entrou.
Ao vê-lo, abriu um sorriso automático, aquele que ela usava desde sempre, como se o tempo nunca tivesse passado.
— Oi — disse ela, levantando-se para cumprimentá-lo.
Cássio inclinou-se e deu um beijo breve no rosto dela. Educado. Frio. Sem memória.
— Vamos? — disse apenas.
Bianca estranhou o convite imediato, mas não questionou.
Pegou a bolsa e guardou o celular, depois levantou-se rápido demais, quase ansiosa.
O celular começou a vibrar dentro da bolsa, insistente, mas ela ignorou.
Naquele momento, a atenção de Cássio parecia mais importante do que qualquer chamada.
Entraram no carro.
Cássio dirigiu em silêncio, sem ligar o som, sem puxar conversa.
Bianca tentou comentar algo sobre o trânsito, depois sobre o clima, depois sobre o restaurante novo da esquina.
Ele não respondeu.
Alguns minutos depois, estacionou próximo a um pequeno mirante dentro de um parque urbano.
O lugar estava vazio, afinal era meio de semana, horário comercial, poucas pessoas circulando.
Ele desligou o carro.
Respirou fundo.
— Você se lembra daqui, Bianca? — perguntou, finalmente.
Ela olhou ao redor, reconhecendo o lugar.
— Claro que lembro — respondeu, com um sorriso nostálgico. — Foi aqui que você me pediu em namoro.
Cássio assentiu lentamente.
— Foi.
Virou o corpo na direção dela, apoiando um braço no volante.
O sorriso que surgiu em seu rosto não chegou aos olhos.
— Foi aqui onde começamos.
Os olhos de Bianca estavam brilhando.
— É aqui onde terminamos.
O sorriso dela vacilou.
— Terminamos o quê? — perguntou, confusa. — A gente não tá namorando.
— Terminamos qualquer tipo de contato — ele disse, com a voz firme. — Ligação, mensagem, amizade. Tudo. Eu quero você fora da minha vida, Bianca. De maneira definitiva.
Ela piscou algumas vezes, como se estivesse tentando acompanhar o raciocínio.
— Por que você tá dizendo isso?
Cássio não elevou a voz. Não precisava.
As lágrimas escorreram sem que ele tentasse esconder.
— Cássio, eu… — ela tentou.
— Não. — Ele levantou a mão. — Eu não quero ouvir sua voz. Eu não quero explicação. Eu não quero justificativa.
Virou-se totalmente para ela.
— Eu quero que você suma. Me esqueça. A menos que queira ser presa.
Ela arregalou os olhos.
— O quê? Como assim?
— Se você aparecer de novo na minha frente — disse, pausadamente — eu pego essas imagens, vou até uma delegacia e registro um boletim por invasão de propriedade e furto.
— Eu não roubei nada!
— Isso você vai ter que provar pra um juiz. — Ele inclinou a cabeça. — Quer testar?
Bianca ficou imóvel. Pela primeira vez desde que se conheceram, não havia charme, nem argumento, nem sorriso que funcionasse.
— Você está avisada, Bianca. — finalizou. — Essa foi a última conversa.
Cássio desceu com o carro até a portaria do parque e abriu a porta.
— Pode ir.
Ela desceu sem dizer nada.
Quando a porta se fechou, ele arrancou com o carro, deixando para trás não apenas um parque vazio, mas uma história inteira que finalmente se encerrava.
Sem volta.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras