Francine acordou antes que o céu de Nova York clareasse por completo.
A cidade ainda estava num tom azulado, suspensa entre a madrugada e o dia, quando ela se sentou na cama, o coração inquieto demais para continuar fingindo sono.
Havia passado a noite inteira virando de um lado para o outro, revendo mensagens, vídeos, imagens que não eram dela, mas que agora pesavam como se fossem.
Vestiu o robe devagar e ligou para o serviço de quarto.
— Dois chocolates quentes, por favor. — pediu, a voz baixa. — Bem quentes.
Quando desligou, ficou alguns segundos parada, observando Malu dormir na outra cama.
Ela parecia exausta até dormindo.
O corpo encolhido, como se ainda estivesse se protegendo de algo que não sabia exatamente de onde vinha.
Francine sentiu um nó apertar no peito.
Minutos depois, a batida suave na porta.
Ela se levantou rápido para atender, mas o som foi suficiente para acordar Malu, que se mexeu na cama e abriu os olhos ainda pesados.
— Fran… — ela murmurou, sentando devagar. — Por que você tá acordada tão cedo? Seus compromissos são só à tarde…
Francine pegou a bandeja das mãos do funcionário, agradeceu e fechou a porta com cuidado.
— Porque eu não dormi direito, Malu.
Colocou a bandeja sobre a mesinha e levou as duas xícaras até perto da lareira elétrica, que aquecia o ambiente com uma luz alaranjada suave.
Depois fez um gesto com a cabeça, convidando Malu.
— Vem sentar aqui comigo.
Malu hesitou por um segundo, mas levantou.
Caminhou até a poltrona oposta, enrolando-se no robe, ainda sem saber por que o peito começava a apertar.
— O que aconteceu?
Francine respirou fundo antes de responder.
— Eu preciso conversar com você. — disse com calma. — E… é sobre o Cássio.
O corpo de Malu reagiu antes da mente. Os ombros se retesaram, o olhar desviou imediatamente.
— Eu não quero saber do Cássio.
Francine não se aproximou. Não tocou. Apenas reclinou-se na poltrona, mantendo a voz firme, mas gentil.
— Malu, eu tô pedindo como sua amiga. — disse, sem dramatizar. — Escuta o que eu tenho a dizer. Depois… você decide o que faz com isso.
Houve um silêncio curto, tenso.
Malu encarou o vapor subindo da xícara de chocolate, como se aquela fumaça pudesse esconder o que ela sentia.
Por fim, suspirou.
— Fala.
Francine começou devagar.
— Você lembra do dia em que o Dorian me viu com o Natan… e achou que eu estava traindo ele?
Malu ergueu o olhar, confusa.
— Fran… o que isso tem a ver com o Cássio?
— Tem a ver com acreditar no que a gente vê… — Francine respondeu. — Mesmo quando não é a verdade inteira.
Malu apertou os lábios.

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