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Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras romance Capítulo 327

Francine acordou antes que o céu de Nova York clareasse por completo.

A cidade ainda estava num tom azulado, suspensa entre a madrugada e o dia, quando ela se sentou na cama, o coração inquieto demais para continuar fingindo sono.

Havia passado a noite inteira virando de um lado para o outro, revendo mensagens, vídeos, imagens que não eram dela, mas que agora pesavam como se fossem.

Vestiu o robe devagar e ligou para o serviço de quarto.

— Dois chocolates quentes, por favor. — pediu, a voz baixa. — Bem quentes.

Quando desligou, ficou alguns segundos parada, observando Malu dormir na outra cama.

Ela parecia exausta até dormindo.

O corpo encolhido, como se ainda estivesse se protegendo de algo que não sabia exatamente de onde vinha.

Francine sentiu um nó apertar no peito.

Minutos depois, a batida suave na porta.

Ela se levantou rápido para atender, mas o som foi suficiente para acordar Malu, que se mexeu na cama e abriu os olhos ainda pesados.

— Fran… — ela murmurou, sentando devagar. — Por que você tá acordada tão cedo? Seus compromissos são só à tarde…

Francine pegou a bandeja das mãos do funcionário, agradeceu e fechou a porta com cuidado.

— Porque eu não dormi direito, Malu.

Colocou a bandeja sobre a mesinha e levou as duas xícaras até perto da lareira elétrica, que aquecia o ambiente com uma luz alaranjada suave.

Depois fez um gesto com a cabeça, convidando Malu.

— Vem sentar aqui comigo.

Malu hesitou por um segundo, mas levantou.

Caminhou até a poltrona oposta, enrolando-se no robe, ainda sem saber por que o peito começava a apertar.

— O que aconteceu?

Francine respirou fundo antes de responder.

— Eu preciso conversar com você. — disse com calma. — E… é sobre o Cássio.

O corpo de Malu reagiu antes da mente. Os ombros se retesaram, o olhar desviou imediatamente.

— Eu não quero saber do Cássio.

Francine não se aproximou. Não tocou. Apenas reclinou-se na poltrona, mantendo a voz firme, mas gentil.

— Malu, eu tô pedindo como sua amiga. — disse, sem dramatizar. — Escuta o que eu tenho a dizer. Depois… você decide o que faz com isso.

Houve um silêncio curto, tenso.

Malu encarou o vapor subindo da xícara de chocolate, como se aquela fumaça pudesse esconder o que ela sentia.

Por fim, suspirou.

— Fala.

Francine começou devagar.

— Você lembra do dia em que o Dorian me viu com o Natan… e achou que eu estava traindo ele?

Malu ergueu o olhar, confusa.

— Fran… o que isso tem a ver com o Cássio?

— Tem a ver com acreditar no que a gente vê… — Francine respondeu. — Mesmo quando não é a verdade inteira.

Malu apertou os lábios.

O vídeo agora mostrava o corredor do prédio. Bianca entrando no apartamento de Cássio pouco antes de Malu. E saindo minutos depois, arrumando o cabelo, olhando para os lados.

Malu levou a mão à boca.

Os olhos marejaram, mas nenhuma lágrima caiu.

Ela ficou ali, olhando. Processando. Cada segundo parecia um pequeno estalo dentro dela.

— Então… — a voz saiu quase num sussurro. — Eu fui embora… por uma mentira... que não era dele.

Francine não respondeu de imediato. Deixou o silêncio existir. Deixou Malu sentir.

Quando falou, foi com cuidado.

— Eu não vou te dizer que você tem que voltar pra ele. — disse. — Essa decisão é só sua. Sempre foi.

Mas eu não podia deixar você sofrendo achando que foi descartada… quando, na verdade, foi enganada. Cruelmente. Por alguém que queria estar no seu lugar.

Malu finalmente deixou as lágrimas caírem.

Não era um choro alto. Era contido. Denso. De quem percebe que a dor poderia ter sido evitada, e isso, de alguma forma, doía ainda mais.

Francine se levantou e, dessa vez, se aproximou. Abraçou Malu sem dizer nada.

Do lado de fora, a cidade seguia seu ritmo.

Dentro do quarto, duas amigas tentavam reorganizar um coração partido, agora com a verdade em mãos.

Malu não sentia apenas raiva.

Sentia dúvida.

E um pouco de esperança.

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