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Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras romance Capítulo 329

Os dias em Nova York começaram a passar de um jeito diferente para Malu.

A agenda continuava cheia demais para permitir grandes colapsos.

Chorar? Não.

Pensar demais? Também não.

Havia horários a cumprir, contratos para revisar, reuniões que precisavam começar no minuto exato.

E Malu fazia tudo isso como sempre fizera: com eficiência quase cirúrgica.

Organizava compromissos, antecipava problemas, respondia e-mails enquanto caminhava pelas calçadas geladas, o celular firme na mão, o casaco bem fechado até o pescoço.

Por fora, ninguém diria que algo estava fora do lugar.

Ela sorria quando era esperado, ria das piadas certas, comentava sobre o frio, sobre o trânsito, sobre a cidade iluminada para o Natal.

Mas, entre um compromisso e outro de Francine, era impossível não tentar colocar a cabeça no lugar.

E o coração também.

Em uma tarde especialmente fria, enquanto Francine estava em preparação para um desfile, Malu saiu sozinha até uma cafeteria próxima.

Precisava de café. Forte. Quente. Algo que mantivesse o corpo funcionando no mesmo ritmo da mente.

Ao atravessar a rua, seu coração quase saltou pela garganta.

Um homem alto, postura familiar, cabelos escuros… entrou no café segundos antes dela.

O mundo parou por um instante.

Malu acelerou o passo, dividida entre o pânico e uma expectativa que ela não queria admitir nem para si mesma.

Abriu a porta com mais força do que pretendia, e então viu.

Não era ele.

Era alguém completamente diferente.

O alívio veio acompanhado de um aperto estranho no peito.

O coração ainda batia rápido demais quando ela fez o pedido, a voz um pouco trêmula, as mãos quentes demais para o frio que fazia lá fora.

Pegou dois cafés por força do hábito, e saiu apressada, como se ficar ali por mais tempo pudesse denunciar algo que ela mesma tentava esconder.

No fundo, mesmo agora sabendo a verdade… ainda doía.

Mas não como antes.

Já não era a dor da traição.

Era outra coisa.

Culpa.

Por não ter confiado.

Malu pegou o aparelho quase sem perceber e, com o polegar hesitante, abriu a conversa que vinha evitando há dias.

A última mensagem ainda estava lá.

O pedido simples. O analgésico. O aviso da porta aberta.

— Como eu não desconfiei de nada? — sussurrou, mais para o vazio do quarto do que para a tela.

O dedo ficou suspenso sobre a conversa, a poucos milímetros de desbloquear tudo o que ela vinha evitando: explicações, provas, talvez desculpas.

Talvez verdades.

Talvez um recomeço.

Ou um novo erro.

Malu bloqueou a tela e deixou o celular de lado.

Virou-se na cama, puxando o cobertor até o queixo.

Não era medo de amar de novo.

Era medo de confiar… e errar outra vez.

E, naquele momento, por mais que a verdade estivesse ali, esperando por ela, Malu sabia:

Ainda não estava pronta.

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