A véspera de Natal em Nova York parecia saída de um filme.
As ruas estavam mais iluminadas do que o normal, vitrines disputavam atenção com decorações exageradas, e o frio cortava o rosto de quem se aventurava para fora sem um bom cachecol.
Malu caminhava ao lado de Francine com as mãos enfiadas no bolso do casaco, o cachecol bem apertado no pescoço, tentando absorver tudo de uma vez.
Ainda assim, havia algo diferente no ar.
Uma expectativa silenciosa, quase infantil, como se a cidade inteira estivesse prendendo a respiração à espera de um milagre.
As duas caminharam juntas até o Rockefeller Center, misturadas à multidão que se espremia para ver a árvore de Natal mais famosa do mundo.
Quando dobraram a esquina e a árvore de Natal surgiu diante delas, Malu simplesmente parou.
Não era apenas grande.
Era absurda.
A árvore parecia tocar o céu, coberta por milhares de luzes que piscavam em tons quentes, refletindo nos prédios ao redor como se o próprio Natal tivesse descido ali para morar.
Em algum lugar próximo, um coral cantava músicas natalinas, vozes harmoniosas ecoando entre os prédios, criando uma trilha sonora perfeita demais para ser real.
Malu levantou o rosto devagar, seguindo o tronco iluminado até o topo, onde a estrela brilhava com uma força quase irreverente.
— Meu Deus… — murmurou, quase sem perceber que tinha falado em voz alta.
Francine sorriu, observando a reação da amiga.
— Dizem que fazer um pedido em frente à árvore de Natal do Rockefeller… — ela inclinou o corpo levemente, como se estivesse contando um segredo — …faz ele se realizar.
Malu soltou uma risada baixa, olhando para a amiga.
— Uma árvore maravilhosa dessa deve realizar até o desejo de ser milionária, então, né?
— Tenta aí. — Francine piscou, divertida. — Vai que… né?
Malu respirou fundo.
Deixou o olhar subir devagar, da base até o topo da árvore, sentindo o peito apertar de um jeito conhecido.
Não fechou os olhos.
Não juntou as mãos.
Apenas pensou, com a honestidade crua de quem já estava cansada de fingir força.
"Eu só queria que as coisas voltassem a ser como antes. Ou pelo menos… que tudo se acertasse logo."
Antes que pudesse se perder demais naquele pensamento, ouviu Francine chamá-la de longe.
— Vem, Malu! A pista tá ali!

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