Entrar Via

Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras romance Capítulo 33

Francine subia os degraus como quem apenas cumpria mais uma tarefa qualquer do dia — prendedor de cabelo torto, expressão levemente sonolenta, passos apressados.

Foi só erguer o rosto que ela quase perdeu o compasso.

Dorian descia os mesmos degraus, impecável em um blazer cinza escuro, camisa branca perfeitamente alinhada no colarinho e o perfume caro que parecia ter sido pulverizado no ar à volta dele.

O olhar dele encontrou o dela — e ali estava: o mesmo olhar calculado, de quem já sabia exatamente o que viria a seguir.

Um sorrisinho lento surgiu nos lábios dele, o tipo de sorriso que dizia “você não perde por esperar.”

Francine, no entanto, segurou firme. Ergueu o queixo e devolveu um olhar de total indiferença, como se ele fosse só mais uma planta decorativa no hall.

Mas por dentro? Uma sirene interna gritando “ferrou.”

Quando o viu sair pela porta da frente e entrar no carro com o motorista, soltou o ar dos pulmões que nem sabia que estava prendendo.

— Foi embora. Graças a Deus — murmurou.

Seguiu então para o corredor dos fundos, onde Denise organizava algumas tarefas com os funcionários.

— Já viu a escala de hoje? — Denise perguntou, casual, enquanto marcava algo no caderno.

— Ainda não. Por quê? — Francine respondeu, despreocupada.

— Sugiro que veja. Antes que seja tarde demais.

Com o cenho franzido, Francine se dirigiu ao mural na parede. Passou os olhos pelas planilhas da semana… até encontrar o temido “Quarto do Sr. Dorian”.

Ali, em letras perfeitamente visíveis:

Limpeza: Francine Morais.

Ela deu um passo pra trás como se alguém tivesse empurrado seu peito.

— Não. Denise não pode estar falando sério…

Mas estava. A escala tinha sido alterada — e só um ser na Terra tinha poder (e ousadia) pra fazer isso.

E ela sabia exatamente quem era.

Depois do almoço, com a barriga cheia e a coragem quase voltando, Francine respirou fundo.

Lembrou-se do blazer cinza, do carro saindo pela manhã. “Ele saiu. Tá tudo certo.”

Pegou seus panos de limpeza, prendeu o cabelo com o primeiro elástico que encontrou e seguiu em direção ao quarto de Dorian.

O corredor estava silencioso. Nem sinal de passos pesados ou vozes masculinas.

Francine hesitou. A resposta estava na ponta da língua, pronta para cortar como faca. Mas não saiu.

Porque a verdade era uma só: Ela não queria perder o emprego.

Se saísse daquela mansão, teria que lidar com aluguel, contas, incertezas…

O salário ali era excelente, especialmente para alguém sem diploma, sem sobrenome, sem proteção.

E ela ainda tinha um plano. Um sonho. A semana de moda em Paris.

Estava juntando cada centavo. E largar tudo por orgulho… doía mais que o olhar dele naquele momento.

— E qual é a minha punição hoje, senhor Dorian? — ela perguntou com ironia, erguendo uma sobrancelha.

Dorian apontou com o queixo para a cama. Havia uma caixa de veludo escuro, pequena, discreta.

Ela caminhou até lá devagar, os passos ecoando como tambores no quarto silencioso.

Abriu a caixa e fechou a tampa na mesma hora.

— Você só pode estar zuando com a minha cara.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras