Ele avançou mais um passo, devagar, como se encurtar a distância entre eles fosse inevitável.
Dorian respirou fundo, juntando todo o orgulho que ainda tinha.
— Você ainda não entendeu… Eu não quero te punir. Eu quero entender o que você queria com aquilo. O que você queria comigo.
Ela riu, sem humor.
— Você acha que tudo gira ao seu redor, não é? Que cada atitude minha tem a ver com você. Mas talvez eu só estivesse procurando outra pessoa, mas você chegou antes.
As palavras bateram nele como t***s invisíveis, cada uma mais cruel que a anterior.
— Então foi só isso pra você?
Ela hesitou. Só por um segundo.
— Aquela noite foi exatamente o que deveria ter sido, Dorian. E é assim que vai continuar.
Virou-se para sair.
— Francine…
— Já terminou? — disse sem olhar pra trás. — Porque eu já fui longe demais só de ter vindo até aqui.
E com isso, ela saiu do escritório — o mesmo jeito que entrou: sem pedir licença, sem se desculpar.
Dorian soltou um sorriso sarcástico.
— Mulher infernal, agora sim eu quero te punir.
Assim que a porta se fechou atrás dela, Francine correu para o quarto com as lágrimas já ameaçando transbordar.
Malu vinha pelo corredor carregando uma pilha de toalhas limpas e só teve tempo de desviar quando a amiga passou feito um furacão.
— Fran?
Sem resposta.
Malu voltou até a porta do quarto e tentou girar a maçaneta. Trancada.
— Me deixa, Malu. Quero ficar um pouco sozinha.
Do outro lado, Malu suspirou e rebateu no mesmo tom dramático:
— Quer ficar sozinha, vai pro jardim. Aproveita e molha as plantas com suas lágrimas!
A maçaneta girou devagar e a porta se abriu.
Francine apareceu com os olhos marejados e um sorrisinho tímido, vencido.
— Você é uma tosca, Malu.
— Uma tosca que te faz sorrir. Agora abre espaço aí, que eu vou entrar e você vai me contar tudinho.
Francine sentou na cama e logo veio o desabafo:
— Ele não me demitiu. Mas me deixou ainda pior. Ele quer entender... o porquê.

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