Dorian estava encostado na moldura da porta do closet, os braços cruzados e aquele sorriso que misturava charme com provocação — o tipo de sorriso que devia vir com bula e contraindicações.
— Esse é seu novo uniforme toda vez que vier limpar meu quarto — disse, como quem anuncia o menu do jantar.
Dentro da caixa, repousava uma peça de lingerie vermelha como pecado bem cometido. Renda fina, transparência ousada, cinta-liga combinando e meias delicadamente dobradas, como se alguém tivesse planejado cada detalhe com precisão cirúrgica.
— Eu não vou ser… sua escrava sexual! — Francine gritou as primeiras palavras e sussurrou as últimas.
— Então pode sentar aqui na mesa e escrever sua carta de demissão. — Dorian respondeu, já puxando uma folha em branco e uma caneta do porta-lápis.
Francine ficou parada por um segundo, com o peito subindo e descendo mais rápido.
A raiva fervia… ou talvez fosse outra coisa.
Porque enquanto ela dizia “não vou”, seu corpo inteiro estava dizendo “quero”.
E ele sabia disso.
Dorian se sentou na beirada da cama e observou, como quem espera que ela escolha a próxima jogada.
— Você é um filho da mãe manipulador.
— E você é a mulher que me deixou louco sem nem tirar a máscara.
O silêncio entre os dois era um campo minado.
Francine olhou da caixa para a caneta.
E pensou: Como eu vim parar nessa situação ridícula e… por que estou pensando em usar essa droga de lingerie?
Ela estreitou os olhos para ele, mas a voz saiu mais calma do que deveria:
— Eu aceito mas com uma condição.
Dorian arqueou uma sobrancelha, interessado.
— Nada de toque, nada de invasão. Eu visto isso — apontou para a caixa — limpo seu quarto, e você fica do outro lado. Em silêncio. Como um bom menino.
Ele sorriu. Devagar.
— Vai ser um prazer assistir.
"Você não perde por esperar, desgraçado". Francine estava tomada por ódio e desejo por aquele homem.
Pegou a caixa com a mesma expressão de quem estava recebendo uma intimação judicial.
Encarou a lingerie como se fosse feita de espinhos, mas não disse uma palavra.

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