Depois de alguns segundos de silêncio, segundos que pareceram longos demais para quem ainda sentia o impacto do quase tombo, Cássio levantou Malu com cuidado, como se ela fosse feita de algo frágil demais para ser apressado.
Ela piscou algumas vezes, tentando reorganizar os pensamentos, o frio, a surpresa… ele.
Tudo o que conseguiu dizer foi:
— Obrigada.
A voz saiu baixa, quase engolida pelo cachecol.
Cassio apenas assentiu com a cabeça, sem sorrir, sem ironia, sem pressa. Continuou segurando o braço dela, como se aquele fosse agora o lugar natural da mão dele.
— Eu posso te ensinar a patinar.
— Eu acho que consigo sozinha — Malu respondeu, tentando se desvencilhar, mais por orgulho do que por convicção.
O movimento, porém, teve o efeito contrário. O patim escorregou, o corpo inclinou, e ela perdeu o eixo de novo.
Cássio a segurou pela cintura com naturalidade, como se aquele gesto já fosse um hábito antigo.
— Vem — disse baixo, quase perto demais. — É mais divertido a dois.
Ela hesitou só um segundo antes de se permitir ficar ali.
As mãos dele eram firmes, mas gentis. Não puxavam, não apressavam. Apenas guiavam.
Aos poucos, Malu foi encontrando o ritmo. Um passo inseguro, outro melhor. Um quase tombo, uma risada contida.
Eles deslizavam pela pista devagar, mais próximos do que qualquer conversa permitiria naquele momento.
O silêncio entre os dois não era vazio, era cheio demais.
Até que Malu quebrou:
— Como você sabia que eu estava aqui?
Cassio soltou um leve riso pelo nariz.
— Ah… foi difícil… — respondeu, com um tom carregado de ironia contida. — Você anda com uma das modelos mais requisitadas do momento. Eu não fazia ideia de onde te encontrar.
Ela tentou esconder o sorriso, falhando miseravelmente.
— Achei que o boca grande do Dorian tinha contado.
— Bom… mais ou menos — ele respondeu. — Ele me disse onde a Francine estava. Só isso.
— Imagino que tenha sido ele também que disse que a gente estaria na pista de patinação.
Cássio apenas sorriu, sem negar, conduzindo-a como se estivessem dançando. O corpo dela seguia o dele quase sem perceber.
— Malu… — disse então, parando à frente dela, obrigando-a a encará-lo. — Eu ia descobrir onde você estava, nem que tivesse que pagar um detetive em cada país desse planeta.

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