Cássio pediu ao taxista para descerem antes do destino final.
— Prefiro andar um pouco — disse. — Se estiver tudo bem pra você.
Malu assentiu.
O Central Park estava quase vazio. A iluminação suave desenhava sombras longas no caminho, e o frio parecia menos agressivo ali dentro, como se Nova York tivesse abaixado o tom de voz.
Eles caminharam lado a lado, sem se tocar.
À frente deles, a Bow Bridge surgia delicada, quase etérea sob as luzes.
Cássio percebeu Malu tentando aquecer as mãos dentro do bolso do casaco.
— Toma — disse, estendendo as luvas. — Tá muito frio.
— Está mesmo... mas eu quero que esfrie mais — ela respondeu, colocando-as. — Aliás… eu quero que neve.
— Nevar em dezembro… — ele começou.
— …é muito raro — ela completou, fazendo uma meia careta que arrancou uma risada sincera dele. — Eu sei. A Francine já me falou. Mas eu acredito em milagres de Natal.
Cássio parou por um instante.
— Então eu também vou acreditar — disse, olhando nos olhos dela. — Se você voltar pra mim.
Eles pararam no meio da Bow Bridge, apoiando os braços no parapeito, observando as luzes suaves que refletiam no lago quase congelado abaixo deles.
Malu sentia o coração bater alto no peito, como se aquele lugar estivesse exigindo verdades.
Ela respirou fundo, soltando o ar devagar, observando a própria respiração virar fumaça.
— Cássio… — ela começou. — Eu tenho medo de voltar. Você é a definição de “muita areia pro meu carrinho de mão”.
— Não tem problema — ele sorriu daquele jeito que desmontava qualquer defesa. — A gente faz quantas viagens precisar.
O vento soprou mais forte, fazendo Malu se encolher dentro do casaco. Ela fechou os olhos por um instante.
— Eu não sei se consigo confiar. E isso é injusto com você.
Cassio virou-se totalmente para ela.
— Tudo bem você ter medo — disse com firmeza. — Eu só preciso que você me dê o benefício da dúvida. Porque eu vou te provar, todos os dias, quantas vezes forem necessárias, que eu só quero você.
O tom de voz virou quase uma prece.
— Em vez de fugir, me escuta. Me deixa ficar. Me deixa provar. Me deixa… construir essa confiança que você ainda não tem.
A voz falhou no final da frase, quase imperceptível. Mas Malu percebeu.
O silêncio voltou a se instalar.
Malu não respondeu. Não porque não queria, mas porque precisava sentir antes de decidir.
Um sorriso emocionado surgiu no rosto dela.
— Se o motivo pra confiar em você for do tamanho de um floco de neve, talvez não dure muito… mas se a gente juntar vários motivos, pode ser que precisem de uma pá pra retirar.
Ele avançou um passo, segurou Malu com força e a girou no ar, tirando-a completamente do chão.
Ela soltou uma risada surpresa, os pés balançando no vazio, o mundo rodando em luzes, neve e frio.
— Então eu vou te dar tantos motivos — disse, rindo junto — que nem um caminhão limpa-neve vai dar conta.
Ele a desceu devagar, apenas o suficiente para alcançá-la, e a beijou.
Um beijo cheio de saudade, de alívio, de esperança.
Malu segurou o rosto dele com as duas mãos, como se tivesse medo de que ele escapasse de novo.
— Me promete, Cássio Bachinni.
Ele encostou a testa na dela.
— Eu prometo.
A neve continuava caindo, cobrindo a ponte, o lago, a cidade.
Mas, para eles, não havia mais frio.

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