A neve, que começara tímida, ganhou corpo rápido demais.
Os flocos já não eram apenas um milagre delicado pousando nos cabelos, agora se acumulavam nos ombros, no casaco, no chão da ponte, transformando o cenário em algo tão bonito quanto impraticável.
O vento cortava.
Malu esfregou as mãos enluvadas uma na outra, rindo.
— Tá oficialmente frio demais pra continuar aqui fora.
Cássio olhou em volta, avaliando o parque que já começava a esvaziar, as luzes ficando mais difusas atrás da cortina branca que se formava.
— Concordo. Ficar na neve é tão ruim quanto ficar na chuva. Só que mais bonito.
Eles deixaram a Bow Bridge devagar, sem pressa, caminhando pelo parque quase vazio.
O Central Park parecia outro lugar à noite, aos poucos ficando coberto de branco, silencioso como se a cidade tivesse concordado em cochichar.
Os passos deles marcavam o caminho na neve fresca.
Cássio puxou o gorro um pouco mais para a testa e passou o braço em volta de Malu, encaixando o corpo dela contra o seu.
O calor vinha do contato, do braço dele firme ao redor dos ombros dela, da testa de Malu apoiada de leve no peito de Cássio.
— Eu disse que era mais divertido a dois — comentou, com a voz abafada pelo cachecol, mas carregada daquele tom satisfeito de quem estava certo desde o início.
— Por falar nisso… — ela disse, levantando o rosto. — Quer voltar pra pista de patinação? A Fran e o Dorian devem estar lá ainda.
Cássio soltou uma risada curta, quase um resmungo.
— Nem pensar. Minha cota de frio por hoje já foi mais do que preenchida. — Ele inclinou a cabeça na direção da saída do parque. — Eu estava pensando em outra coisa.
— Tipo o quê?
— Tipo você ir comigo pro hotel.
Malu o encarou por alguns segundos, tentando decifrar o tom.
Não havia urgência. Nem malícia explícita.
Só… convite.
— Tá bom — ela respondeu, simples.
Pegaram um táxi na borda do parque.
Durante o trajeto, Malu observava a cidade pela janela embaçada, as luzes de Natal refletindo como pequenos borrões dourados.
Cássio mantinha a mão sobre a dela, firme, presente, como se precisasse confirmar a cada segundo que ela ainda estava ali.
Assim que entraram no quarto, o contraste foi imediato.
Cássio fechou a porta, largou o casaco na poltrona e foi direto acender a lareira.
O fogo ganhou vida rápido, preenchendo o ambiente com um calor suave, dourado, quase hipnótico.
— Tá vendo? — ele disse, estendendo a mão pra ela. — Bem melhor.
Malu riu e se aproximou, sentando-se no tapete grosso em frente à lareira, puxando as pernas pra perto do corpo e esticando as mãos em direção ao calor.

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