A porta da cozinha se escancarou com um estrondo, batendo contra a parede com tanta força que fez os potes nas mãos de Malu quase voarem.
A funcionária deu um pulo, o coração disparando no peito.
— Minha nossa, Francine! Vai derrubar a casa, mulher!
Mas Francine nem ouviu. Entrou com os olhos faiscando de raiva, a respiração pesada, o rosto ainda ruborizado de indignação.
Marchou até o balcão como se estivesse prestes a lançar uma revolução.
— Adeus, Malu! Eu vou embora dessa casa! — anunciou, jogando a bolsa sobre a bancada como se fosse uma bomba prestes a explodir.
Malu arregalou os olhos, ainda segurando um tupperware de tampa azul.
— Como é que é?
— Isso mesmo que você ouviu! Eu não sou obrigada a nada! Ninguém vai brincar com a minha vida e eu vou aceitar sem fazer nada! — começou a abrir os armários de qualquer jeito, como se procurasse algo só pra canalizar a raiva. — Eu vim pra cá pra recomeçar, não pra ser manipulada por um CEO mimado que acha que pode decidir até o que eu posso sonhar ou não!
— Você tá falando do Dorian?
— De quem mais seria, Malu?! Do padeiro? Do carteiro? — ela gritou, esbarrando num pano de prato que caiu no chão. — Eu nem sei como ainda não meti um pé na bunda dele!
— Ué, porque ele é seu chefe e não o contrário? — arriscou Malu, com aquele jeitinho debochado de quem tentava aliviar o clima, mas Francine só suspirou alto, colocando as duas mãos na cabeça.
— Ai, Malu… Se eu não for embora agora, eu juro que enfio a cabeça dele dentro do forno!
Malu coçou a testa com o canto do pano:
— Então pelo menos espera eu tirar o bolo, que é de chocolate e já tá quase pronto...
Francine não conseguiu conter o riso. Foi um só, curto, mas escapou. E ela odiou isso. Porque até naquele momento de raiva, aquela casa tinha um jeito estranho de puxá-la de volta.

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