Depois que Francine saiu como um furacão, deixando um rastro de indignação e olhares curiosos pelo saguão do shopping, Dorian permaneceu onde estava por alguns instantes, como se absorvesse o impacto da tempestade que ele mesmo provocara.
Ajeitou a gola da camisa com calma e soltou um longo suspiro antes de voltar para o salão do desfile.
Lá, cumprimentou os organizadores com a naturalidade de quem estava no centro do próprio império.
— O evento foi um sucesso — elogiou, apertando a mão de um dos patrocinadores mais influentes. — E eu quero discutir possibilidades futuras. Algo maior. Nacional.
Eles sorriram, ansiosos, já imaginando o que o nome Dorian Villeneuve poderia trazer para os próximos eventos. Ele trocou mais algumas palavras, estreitou laços, plantou sementes. Como sempre fazia.
— A propósito, Villeneuve — disse um dos jurados ao se aproximar, ainda com o crachá da agência pendurado no pescoço — espero que esteja satisfeito com o resultado.
Dorian virou-se com um sorriso contido.
— Estou. Vocês fizeram um ótimo trabalho selecionando os talentos certos.
O homem pigarreou, desconfortável, e baixou o tom de voz:
— Mas... a moça que você mencionou, a Francine… sinceramente, foi uma pena não incluí-la. Aquilo foi fora do comum.
Dorian manteve o sorriso, mas os olhos endureceram por um breve segundo.
— Ela realmente tem potencial. Mas acredito que não seja o momento certo para ela entrar nesse circuito.
— Entendo… — o jurado hesitou, franzindo a testa. — Você disse que tinha... algum contato com ela?
— Digamos que conheço bem a trajetória da candidata. Posso resolver isso em outra oportunidade, por caminhos mais... apropriados.
— Bem, deixamos passar um diamante, Villeneuve. A maioria da equipe queria ela no topo da lista.
Dorian assentiu com um leve aceno de cabeça.
— E serão generosamente recompensados por essa… adaptação.
O jurado apertou os lábios, incerto. Não sabia exatamente quem era Dorian Villeneuve — apenas que ele tinha dinheiro, influência e um interesse muito particular em certos nomes do desfile. O que já era o suficiente para saber que contrariá-lo não era uma opção.
Eles apertaram as mãos rapidamente, e Dorian se afastou com passos calmos.
Quando enfim seguiu para o carro, o shopping já se esvaziava.
Seu motorista abriu a porta sem dizer uma palavra, e Dorian entrou no banco de trás com o celular em mãos.
Uma notificação piscava na tela: "Vídeo do desfile da Francine — enviado por Paulo Martins."

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