Francine deu mais uma garfada no bolo antes de desabafar.
— Aquele imbecil me boicotou só porque faltei ao trabalho. Ainda veio com a cara mais cínica dizer que estava fazendo o melhor pra mim.
— E como ele te boicotou? Aliás, o que ele estava fazendo lá?
— Sei lá, Malu. Esse homem é imprevisível e aparentemente está em todo lugar onde eu estou. Eu vi ele conversando com um jurado, aposto que foi por causa dele que não fui escolhida.
— Será que ele não estava apenas fazendo negócios, como sempre? Você sabe como ele vê dinheiro até numa sombra.
— Eu não faço ideia, mas é coincidência demais, Malu. Até outras candidatas ficaram chocadas que eu não fui escolhida. Tinha menina me perguntando no corredor se eu tinha recusado a vaga.
— Mas você não perguntou diretamente a ele?
— Malu, a minha vontade era torcer o pescoço daquele infeliz. Acha mesmo que eu ia conseguir conversar? Eu só vim embora, achando que já tinha tido desgraça suficiente pra um dia… mas a minha vida é uma piada de mau gosto.
— Como assim?
Francine largou o garfo com força no prato.
— O Natan apareceu aqui. Diretamente das profundezas do inferno, que é de onde ele deve ter saído.
— O Natan? O seu ex tóxico?!
— Aquele imbecil mesmo. Sorte que o Otávio tava na ronda e afastou ele de mim, mas agora ele sabe onde eu moro. Deve achar que eu tô rica ou alguma coisa assim. Agora que ele não me deixa mesmo em paz. Eu vou embora, é isso, vou sumir!
— E vai pra onde, Francine?
— Qualquer lugar que não tenha Villeneuve nem ex psicopata me rondando. Pode ser a Lua, inclusive.
Malu suspirou, empurrou o prato de bolo pra frente e apoiou o queixo nas mãos.
— Tá, mas se você for pra Lua, me avisa. Vou querer visitar nos finais de semana.
Francine soltou uma risada amarga e passou as mãos no rosto.
— Prometo. Mas só se você levar bolo.
Antes que Malu pudesse responder, a porta da cozinha rangeu mais uma vez.

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