Francine voltou para a cozinha com mini saltinhos de alegria, tentando conter o sorriso bobo que insistia em escapar pelos cantos dos lábios.
O celular novo estava guardado no bolso do avental, como um segredo precioso. Dorian não podia — jamais — saber o quanto ela estava satisfeita com aquele presente.
Mas Malu... Malu era outra história.
A amiga a observou entrando na cozinha como quem voltava de um parque de diversões. Cruzou os braços, arqueou uma sobrancelha e soltou, sem cerimônia:
— E essa alegria toda aí? Rolou um flashback da festa e eu não tô sabendo?
Francine revirou os olhos e tentou manter a pose.
— Sai fora, Malu. Não tem flashback nenhum. Apenas ganhei um presente que não esperava.
Malu estreitou os olhos, divertida.
— Presente? Do Dorian? Ou da fada madrinha da cozinha?
— Não te interessa — respondeu Francine, fingindo desinteresse enquanto enfiava uma uva na boca. — Mas foi um bom presente. Útil, moderno… caríssimo.
— Ah, então definitivamente não foi da fada madrinha. — Malu riu. — E nem um pouco suspeito, né? O patrão presenteando a funcionária com algo "caríssimo"? Tá me parecendo começo de novela das nove.
Francine deu de ombros, mas o sorriso no rosto já entregava mais do que gostaria.
— Fica na sua, Malu. Eu não tô cedendo, se é isso que você quer saber.
— Imagina — respondeu Malu, se aproximando com um olhar cheio de malícia. — Eu jamais pensaria isso. Cê só tá aí, brilhando igual árvore de Natal e pulando pela cozinha como uma adolescente apaixonada.
Francine bufou.
Assim que Malu se afastou para lavar algumas louças, Francine aproveitou a deixa.
Tirou o celular novinho do bolso do avental como quem manuseia uma joia rara, e passou os dedos devagar pela tela preta, saboreando o momento.
Ligou o aparelho e mordeu o lábio com um sorriso travesso, já ansiosa pra testar todas as funções possíveis.
Mas, claro, antes… o calvário.
Configuração de idioma, senha, reconhecimento facial, redes Wi-Fi, conta de e-mail, atualizações intermináveis. Aquilo parecia um vestibular tecnológico.
— Misericórdia, Dorian. Nem pra configurar esse troço pra mim — resmungou em voz baixa, apertando “próximo” com a paciência de um monge budista.
Sem camisa.
No centro do deck, ele se apoiava apenas nos braços em uma paralela improvisada — uma das muitas estruturas discretas espalhadas pela área externa, que ela nunca tinha reparado de verdade.
A luz do entardecer fazia um jogo de sombras nos músculos dele, que estavam completamente definidos pelo esforço. O abdômen tensionado. O maxilar travado pela concentração. O ritmo preciso e silencioso dos movimentos, como se o mundo ao redor não existisse.
Francine parou com o celular a meio caminho da selfie, piscando como se o cérebro estivesse tentando reiniciar.
“Isso aqui… não tava no roteiro.”
Ela ainda pensou em recuar devagar e fingir que nada tinha acontecido. Mas o celular escorregou um pouco entre os dedos e a tela emitiu aquele “clic” irritante de foco automático.
Dorian parou o exercício no mesmo instante.
Virou o rosto em direção a ela com um arqueamento leve da sobrancelha e um sorriso de canto que não ajudava em nada na recuperação cardíaca da Francine.
— Apreciando o pôr do sol? — perguntou, com a respiração ainda acelerada e a voz rouca de esforço.
— É… é. Claro. O pôr do sol. — Francine se obrigou a desviar os olhos para o horizonte, mas tudo o que viu foi uma mancha amarela embaçada atrás de um peitoral suado.

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