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Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras romance Capítulo 70

Francine ficou parada por um tempo, olhando para a tela. O cursor ainda piscava ali, como se esperasse um sinal verde.

"Sabia que você ainda guardava esse seu jeito doce comigo. Fiquei feliz, de verdade."

Ela sabia que deveria simplesmente ignorar. Mas alguma parte dela, talvez o tédio, talvez o ego, queria responder. Ou pelo menos rir disso com alguém.

Largou o celular no criado-mudo e foi até a janela, puxando a cortina com um movimento preguiçoso. Abriu só uma fresta, o suficiente para um raio de sol entrar direto no seu rosto.

— Aff, queimada viva — murmurou, se afastando como se fosse feita de papel. — Um vampiro teria mais tolerância que eu.

Pegou uma roupa qualquer, short de moletom e regata larga, e foi até a cozinha.

O cheiro de alho e cebola refogados no azeite atingiu em cheio o estômago, que imediatamente respondeu com um ronco alto e desajeitado.

— Bom dia pra você também — disse Malu, mexendo algo na panela com uma colher de pau. — Tá viva?

— Mais ou menos — respondeu Francine, se jogando na cadeira. — Só mandei “obrigada, adorei” pra um homem errado.

Malu virou só um pouco o rosto, o suficiente pra arquear uma sobrancelha.

— Dorian?

— Natan.

— Natan?! — Ela largou a colher e virou de vez. — O cara das flores?

— Ele mesmo. Mandou mensagem hoje de manhã perguntando se eu gostei do “presente”. E eu, com a cara ainda grudada no travesseiro, achei que era o Dorian falando do celular. Respondi toda fofa.

— Mentira?!

— Praticamente um “amei, obrigada” com emoji de coraçãozinho — disse ela, com a voz envergonhada e um sorriso culpado.

— Meu Deus, Francine! Agora o coitado vai achar que tem chance!

Francine apoiou o rosto nas mãos e suspirou.

— Eu bloqueio? Respondo “foi engano”? Finjo que morri?

Malu voltou a mexer a panela, rindo.

— Acho que antes de qualquer coisa, cê devia admitir que tá mais envolvida com o Dorian do que quer admitir.

Francine bufou, mas não retrucou. Em vez disso, olhou pro celular na mesa como quem encara uma armadilha. E, no fundo, talvez fosse mesmo.

— Tá. Mas primeiro eu como. Depois eu resolvo minha vida amorosa.

Francine revirou os olhos, mas não conseguiu esconder o sorriso que escapou no canto da boca.

— Não. Dorian não precisa saber de tudo. Ainda.

— Ainda?

— Ainda. Vai que eu decido contar numa hora boa… tipo quando ele estiver se achando demais.

Malu gargalhou.

— Você é cruel.

— Só o suficiente pra manter o jogo interessante — respondeu Francine, voltando a comer com a leveza de quem acabou de cortar o último fio que a ligava ao passado.

Assim que Francine apertou enviar, o celular vibrou de novo. Ela nem teve tempo de respirar entre uma mensagem e outra.

Olhou a tela com um meio suspiro... e aí os olhos dela se iluminaram como se tivessem visto o próprio sol, só que sem o incômodo.

Era Dorian.

“Acordou, Bela Adormecida?”

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