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Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras romance Capítulo 71

O sorriso surgiu antes mesmo dela conseguir conter. Automático, bobo, sincero.

Malu, que já observava tudo de camarote, apontou a colher como se fosse um microfone:

— Pelo visto a fila andou, né?

Francine tentou disfarçar, mas a tentativa foi patética.

— Que fila, menina? Tá doida.

— Ah, claro. Você só sorri assim quando o crush manda “bom dia”. Se fosse notificação do banco, cê tava bufando. — Malu estreitou os olhos. — É o Dorian, né?

Francine não respondeu, mas a covinha na bochecha entregava tudo.

— Eu sabia. Desde aquele dia que você fez panqueca e deixou queimar porque tava rindo sozinha no celular. Desde ali eu sabia.

— Malu, não é nada demais.

— Uhum. Você só tá com o brilho no olho de quem não sente mais raiva ao ver cueca na pia.

Francine gargalhou e largou o celular na mesa.

— Você vai me zoar muito se eu disser que... gosto de conversar com ele?

— Só até a eternidade — respondeu Malu, levantando da cadeira com a xícara na mão. — Mas pode ficar tranquila. Se ele for um babaca, eu mesma coloco um laxante no café dele.

Francine riu, pegou o celular de volta e respondeu Dorian, os dedos deslizando com rapidez, como quem não precisava mais esconder a leveza que ele trazia.

Ao mesmo tempo, no escritório, Cássio empurrou a porta da sala de Dorian com o ombro, equilibrando uma pasta abarrotada de documentos na mão esquerda e dois cafés na outra.

Tinha passado a manhã toda em reunião com um possível novo parceiro comercial — e precisava desesperadamente de cafeína e ar-condicionado.

Encontrou Dorian sentado à mesa, o laptop aberto, papéis espalhados... mas nenhuma digitação, nenhuma ligação.

Só ele, encostado na cadeira, encarando o celular com um sorrisinho digno de propaganda de pasta de dente.

— De quantos milhões foi esse contrato que você fechou pra estar sorrindo assim? — Cássio perguntou, largando os papéis com um thud leve na mesa de reunião.

Dorian sequer desviou o olhar da tela. Respondeu ainda sorrindo:

— Na verdade esse contrato me custou apenas um iPhone. E algumas mensagens.

Cássio arqueou uma sobrancelha.

— Uma mensagem? Você tá rindo sozinho pra uma mensagem? Cara, isso é inédito. Se eu não te conhecesse, diria que tá apaixonado. Mas como eu te conheço... com certeza você está apaixonado.

Dorian finalmente largou o celular na mesa, mas o sorriso não sumiu.

— Ela respondeu.

— Francine?

Sentou na mesa de sempre, próximo à janela, e pediu o mesmo de sempre: filé ao molho de vinho com purê trufado. O garçom mal tinha se afastado quando o celular vibrou sobre a toalha branca.

Francine.

O nome dela acendeu no visor e um sorriso se insinuou no canto dos lábios dele, confiante. Finalmente, ela ia ceder.

Tinha certeza de que a saudade estava batendo. Pegou o aparelho com uma pressa contida e abriu a mensagem, o peito inflando de expectativa.

“Oi, Natan. Eu achei que a mensagem era de outra pessoa, por isso respondi. Sobre o presente… foi gentil, mas desnecessário. A gente terminou, e eu tô em outro momento agora. Espero que você entenda e siga em frente também.”

O sorriso dele evaporou.

Fechou os olhos por um segundo, encostando as costas na cadeira.

O barulho ao redor pareceu sumir, substituído por um zunido surdo, como se o orgulho ferido tivesse bloqueado a audição. As palavras ficaram gravadas como um carimbo em brasa:

“Desnecessário.”

“Tô em outro momento.”

“Siga em frente também.”

A mandíbula dele travou.

— Gentil, mas desnecessário... — repetiu em voz baixa, quase como se testasse o gosto da frase na boca. — É sério isso?

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