Natan pousou o celular virado pra baixo e pegou o guardanapo com força desnecessária, alisando-o como se quisesse arrancar a raiva com as pontas dos dedos.
Do outro lado do salão, um casal ria de algo compartilhado num celular. Natan olhou, e a visão o irritou ainda mais.
Era isso. Ela devia estar com outro.
A única explicação para tanta firmeza, pra esse tom de maturidade forçada, era que alguém novo tinha surgido na jogada.
E ela estava se achando superior por ter “seguido em frente”.
O prato chegou, mas o apetite não.
Ele passou os olhos pela tela mais uma vez, os dedos tamborilando ao lado do celular. Queria responder.
Queria despejar ironia, esfregar tudo o que ela tinha perdido. Mas não. Precisava de algo mais sutil. Mais calculado.
Engoliu a raiva com uma taça de vinho, respirou fundo e soltou um sorrisinho torto, forçado. O tipo de sorriso que precede um contra-ataque.
— Então tá, Francine. Vamos ver até onde vai esse “outro momento” seu...
Francine tinha ousado falar com aquele tom direto. Fria. Como se ele fosse apenas uma página virada. Como se estivesse… bem.
Não fazia sentido. Ela morava numa mansão, não trabalhava mais como modelo, e agora vinha com esse papinho de “outro momento”?
Outro momento como, se até ontem ela dividia apartamento e se humilhava por publi de produto capilar?
Ele se recostou na cadeira, puxou o celular de volta e abriu a última foto que lembrava dela. Um close do rosto, sem maquiagem, rindo de algo que ele provavelmente tinha dito. Ele passou a mão pelo queixo, irritado.
— Só pode ter arranjado um velho rico — murmurou.
Mas algo não fechava. Francine nunca gostou de depender de homem. O que mais o irritava era isso. O orgulho dela. Talvez…
Talvez tenha herdado algo. Mas os pais dela? Uns pé rapado, sem eira nem beira, que só viviam pedindo favor. Só se algum tio distante morreu. Ou ela está mentindo. Alguém está bancando aquilo. E ele ia descobrir.
Natan destravou o celular de novo e foi direto nos contatos. Procurou o número salvo como “Afonso – BO”. O velho investigador que ele já usara antes para checar gente da concorrência ou puxar CPF de funcionários “suspeitos”.

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