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Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras romance Capítulo 73

Era início da tarde e o sol filtrado pelas cortinas finas deixava a sala de descanso com cara de preguiça.

O ambiente, um dos poucos cômodos da mansão destinados ao uso livre dos funcionários, era pequeno, com um sofá encostado à parede, duas poltronas de tecido surrado e uma estante com livros antigos e jogos de tabuleiro que ninguém ousava tocar.

Francine estava ali sem pressa, no seu dia de folga, deitada no sofá com uma almofada improvisada sob a cabeça e o celular em mãos.

O som da notificação fez sua barriga gelar antes mesmo de ver o nome.

Natan.

Ela hesitou, mas clicou.

“Que pena, não queria te incomodar, de verdade.”

“Só senti que depois de tudo o que vivemos, você merecia algo à altura.”

“Mas tudo bem, se você acha que encontrou algo melhor, vou respeitar.”

“Só fico triste por perceber como você se tornou alguém que responde com frieza um gesto sincero.”

“Mesmo que não queira mais saber de mim, eu continuo torcendo por você. Sempre.”

Francine soltou um suspiro, longo e exausto, enquanto revirava os olhos e a alma.

— Ele não muda — murmurou, mais pra si do que pra alguém.

Como se invocada por telepatia, Malu apareceu na porta da sala com um pacote de biscoitos na mão.

— O quê? O Dorian mandou outro emoji sem contexto?

— Pior. O Natan me enchendo o saco.

Malu entrou, se jogando na poltrona mais funda.

— E o que ele quer agora? Pagar a terapia retroativa?

Francine riu, sem humor.

— Aquela velha manipulação disfarçada de saudade. Só faltou dizer “a culpa é sua por eu ser um babaca”.

Ela passou os olhos novamente pela mensagem, sem clicar em responder.

— Os momentos bons com ele até existiam — confessou —, mas os ruins... Eram insuportáveis. Ele me sufocava.

— E você se culpava por não conseguir respirar — completou Malu, abrindo o pacote.

— Exatamente.

Francine encarou o celular por mais alguns segundos, depois bloqueou o número com a naturalidade de quem já apanhou demais.

— Eu não sou obrigada a ler isso — decretou, largando o aparelho no colo.

Francine soltou um riso curto e deu um aceno.

— Já tô pegando sol mental, pode deixar.

Enquanto Filipe voltava, segurando um maço de cartas e pacotes, o inesperado aconteceu: o sistema automático do irrigador do jardim se ligou.

Um jato forte de água acertou Francine em cheio, que estava sentada em um banco de mármore, mais distraída do que esperava.

— Que isso, parque aquático? — ela gritou, pulando do banco e tentando se desvencilhar da chuva inesperada.

No desespero, tentou correr, mas escorregou na grama molhada e tropeçou com força na luminária decorativa baixa, perdendo o equilíbrio.

Antes que pudesse se apoiar em qualquer coisa, caiu direto em cima de Filipe, que mal teve tempo de reagir. As correspondências voaram como confete.

— Merda! Desculpa, Filipe! — ela exclamou, começando a ajudar a juntar os papéis espalhados.

Filipe riu, meio surpreso, e comentou:

— Eu não me importo de me molhar, não, mas não quero ser demitido por entregar cartas sujas de lama.

Enquanto ajudava a recolher os envelopes espalhados, Francine congelou ao ver o nome impresso com tinta preta em um dos papéis maiores, dentro de um envelope cinza-claro de bordas sofisticadas.

Ela franziu o cenho, o olhar curioso se acendendo.

— Montblanc?

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