Entrar Via

Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras romance Capítulo 74

Ela piscou duas vezes, o envelope ainda em sua mão.

Por um segundo, seu cérebro não conectou.

Montblanc? A maior agência de talentos da Europa? A mesma que ela sonhava um dia ser notada? Por que diabos eles estavam mandando carta para Dorian?

Entregou o envelope a Filipe, mas seus olhos ficaram fixos nele até o último segundo.

— Tá tudo aí? — perguntou ele, secando o próprio rosto com a manga.

— Uhum — ela respondeu sem convicção.

No caminho de volta à cozinha, agora toda molhada, Francine começou a construir uma galeria de teorias.

"Será que Dorian é cliente da Montblanc?"

"Ou tem algum familiar famoso?"

"Talento escondido?"

"Dono da porra toda?"

"E se ele tiver ligações com o mundo da moda e nunca comentou nada?"

"Será que é ele o olheiro fantasma de quem as meninas vivem falando?"

Francine entrou na cozinha pingando, o cabelo grudado no rosto, a blusa colada nas costas e os chinelos fazendo “squelch” a cada passo.

Malu quase cuspiu o gole de café que tinha acabado de dar.

— O banho já tá tomado, né? — gargalhou, batendo a mão na bancada. — Que refrescância!

— Não ri. Eu quase morri afogada por um sistema de irrigação traidor.

— Vai me dizer que esqueceu do timer do jardim?

Francine bufou, puxando um pano de prato pra secar os braços.

— Isso é perseguição. Tenho certeza que a mansão tem alguma tecnologia avançada que identifica quando tô finalmente de folga. Tipo: atenção, ela está relaxando! Acionem os drones!

— Dorian Villeneuve aprovaria, com certeza. — Malu fez a voz grossa e pausada, imitando o patrão. — "Eficiência, senhorita Morais. Nem a folga pode ser improdutiva."

— E pra completar a humilhação pública, caí em cima do Filipe. As cartas que ele pegou voaram tudo.

— Ai, não! — Malu ria ainda mais. — Me diz que pelo menos uma delas era uma declaração de amor secreta.

— Pior. Era uma correspondência da Montblanc.

Malu piscou.

— A agência Montblanc?

— Sim. Endereçada ao senhor “vou comprar você” Dorian Villeneuve.

— Lá vamos nós de novo… agora vai roubar correspondências?

— Se o Dorian tem alguma relação com a Montblanc, ele pode ser a minha ponte pra Paris, Malu. Paris. Eu nunca tive uma chance dessas!

— Mas abrir correspondência alheia é crime, você é louca?

— Quem disse que eu vou abrir? — retrucou Francine, erguendo o queixo com ares de inocência escandalosamente falsa.

— E vai fazer o quê, então?

— Vou dar meus pulos.

Antes que Malu pudesse protestar de novo, Francine já saía da cozinha com passos firmes e decididos.

Correu até o quarto e trocou a camiseta molhada por uma blusa leve de algodão e um short de alfaiataria, num tom pastel impecavelmente alinhado ao “look funcionária de folga com intenções obscuras”.

De volta à cozinha, ela montou uma bandeja com uma fatia generosa de bolo de cenoura com cobertura, uma chaleira de chá fumegante e um potinho com frutas frescas — tudo perfeitamente equilibrado, como se fosse apenas mais uma tarde de gentilezas nos corredores da mansão.

Malu a observava com os braços cruzados e a expressão derrotada.

— Francine…

— Eu não vou abrir nada, eu juro. Só vou… me aproximar da fonte.

— Você é uma ameaça pra diplomacia internacional — murmurou Malu, enquanto Francine saía com a bandeja nas mãos e um sorrisinho triunfante nos lábios, rumo ao escritório de Denise.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras