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Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras romance Capítulo 76

Assim que passou pela porta da mansão, o turbilhão de pensamentos invadiu a mente de Dorian como uma tempestade sem aviso.

“Então era esse o remetente das flores?”

“Será que foi ele quem colocou o rastreador na bolsa dela?”

“É por causa dele que ela não se abre comigo?”

As perguntas se atropelavam, deixando pouco espaço para a lógica e muito espaço para o incômodo.

Sem se dar conta, ele bateu a porta do salão principal com força suficiente para assustar qualquer alma viva por perto, e talvez até ser ouvido da rua.

Não que se importasse.

Seguiu em passos pesados até o corredor. Um dos empregados cruzou com ele no caminho, cumprimentando-o com um tímido "boa noite".

— Boa noite, senhor Dorian.

Não recebeu resposta. Apenas um olhar de aço e o som apressado dos sapatos ecoando pelo piso de mármore.

— Pelo visto o humor dele voltou ao normal — comentou o funcionário, mais para si mesmo do que para alguém ouvir.

No quarto, Dorian tirou o paletó com um gesto brusco, afrouxou a gravata e tomou um banho, mas a água fria não foi capaz de lavar a imagem que havia acabado de presenciar: Francine, sorrindo, abraçando Filipe.

Natural. À vontade. Como se ele não existisse.

Vestiu-se com roupas mais leves, mas a tensão continuava colada na pele.

Sem conseguir se distrair nem por um segundo, decidiu seguir para o escritório da mansão.

Se não podia controlar o que sentia, pelo menos podia tentar controlar o que fazia.

Enquanto revisava pela terceira vez uma proposta de cooperação internacional da empresa, Dorian foi interrompido por uma batida firme à porta do escritório.

— Entre! — sua voz ecoou como um trovão.

Quando viu que era Filipe, o ciúme ameaçou transbordar.

Só não explodiu porque Dorian ainda tinha certo apreço pelas aparências, mesmo que por dentro já tivesse riscado mentalmente o nome do rapaz da lista de confiança.

— Senhor, eu vim trazer suas correspondências. — Filipe entrou com as mãos ocupadas por uma pequena pilha de envelopes organizados.

— Seja rápido, Filipe. — A voz de Dorian saiu gélida, firme.

Ele não conseguia sequer olhar na cara do rapaz sem imaginar se ele tinha sentido o perfume de Francine durante o abraço.

Filipe assentiu e começou a entregar as cartas com a mão trêmula. Bancos, parceiros comerciais, uma revista de arquitetura, um convite para um evento de gala.

Enquanto falava, evitava olhar nos olhos do patrão, mas sentia o peso do olhar cravado nele como uma lâmina afiada.

Por fim, segurou o último envelope, o da Montblanc, por um segundo a mais do que o necessário.

A pergunta caiu como um raio. Filipe sentiu o frio na espinha.

— Senhor, nenhuma. Somos só colegas de trabalho.

— Aquele abraço me pareceu bem íntimo.

Filipe engoliu em seco. Não podia contar exatamente o motivo do abraço, então precisava escolher bem as palavras.

— Francine me pediu um favor… e ela pode ser bem convincente quando quer algo.

Dorian arqueou uma sobrancelha, surpreso e divertidamente derrotado. Sorriu, ainda que de leve.

Aquilo era verdade. Ela invadiu sua festa, enganou seus funcionários e ainda conseguiu se manter no centro da sua mente desde então.

— Isso é tudo, Filipe?

— Sim, senhor.

— Pode se retirar, então.

Filipe assentiu e saiu, tentando manter a postura. Mas ao fechar a porta, sentiu que só escapou por um fio.

— Essa foi por pouco. É… Francine, você me deve uma!

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