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Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras romance Capítulo 85

O celular vibrou sobre o criado-mudo, arrancando Natan de um sono leve. Ele estendeu a mão, ainda de olhos semicerrados, e deslizou o dedo pela tela.

"O dossiê sobre Francine está pronto. Que horas podemos nos encontrar?" — a mensagem do investigador piscava na tela, seca, sem cumprimentos.

Natan passou a mão pelo rosto, afastando o torpor da madrugada. Sentou-se na cama, já sentindo o leve aperto no estômago que aquela frase carregava. Pegou o celular novamente e respondeu:

"Café Le Jardin, às 9h. É perto do meu escritório."

Encostou-se na cabeceira, encarando a tela por alguns segundos, como se ela pudesse antecipar o que viria a seguir.

O banho foi rápido, mas não suficiente para lavar a inquietação que já se instalara nele.

Cada movimento era mecânico: vestir a camisa, abotoar, ajustar o relógio no pulso, enquanto a mente rodava como um projetor descontrolado, criando e descartando hipóteses sobre o conteúdo daquele dossiê.

No caminho para o trabalho, o trânsito parecia mais lento do que o habitual. As buzinas se misturavam ao zumbido constante de pensamentos.

Ele estacionou a algumas quadras do café, como se precisasse daquela curta caminhada para organizar o espírito.

Ao chegar, o cheiro de café recém-moído o envolveu, reconfortante e ao mesmo tempo incapaz de abafar o peso da expectativa.

Escolheu uma mesa no canto, de onde podia ver a porta. Pediu um expresso duplo e, enquanto esperava, passou o dedo pelo aro da xícara vazia, tentando não olhar para o relógio a cada trinta segundos.

Quando a porta se abriu e o investigador entrou, o coração de Natan acelerou como se estivesse prestes a ouvir um veredito.

Natan recebeu o envelope pardo pelas mãos do investigador como se fosse um artefato delicado, perigoso.

Não o abriu de imediato.

Passou alguns segundos apenas olhando para o lacre de fita adesiva, sentindo o peso simbólico do que estava prestes a descobrir.

Cada informação ali dentro poderia mudar não só a imagem que tinha de Francine, mas também o rumo dos próximos dias.

Quando finalmente puxou o papel para fora, fez isso com calma, quase cerimoniosa. As folhas se espalharam sobre a mesa, preenchidas com recortes de jornais, fotos impressas e anotações meticulosas.

— Comecemos pelos pais — disse o investigador, inclinando-se para frente. — Situação financeira… complicada, para dizer o mínimo. Vários registros de acusações de estelionato, golpes pequenos para sobreviver. Nenhuma condenação formal, mas… — ele fez um gesto com a mão, como quem indica que a ausência de provas não é sinônimo de inocência.

Natan absorveu as palavras em silêncio, o maxilar contraído.

— Eles vivem em outra cidade, bairro de reputação… duvidosa. Casas apertadas, ruas mal iluminadas. Nada que combine com a forma como Francine se apresenta por aqui.

Natan deu um leve aceno de cabeça, absorvendo a informação.

— Faz sentido ela nunca falar dos pais. E também explica o jeito fechado… Mas um romance com Villeneuve? — ele deu uma risadinha breve, como se a ideia fosse absurda. — Francine não teria a menor chance. No maximo deve ter um affair com algum segurança.

Assim que disse isso, a lembrança veio como um estalo.

Ele visualizou nitidamente o homem alto, de ombros largos e rosto inexpressivo, que havia bloqueado sua passagem na porta da mansão semanas atrás.

O sujeito tinha se aproximado com aquela calma intimidadora, mas os olhos diziam que, se ele desse mais um passo, acabaria se arrependendo.

Natan recordou até o tom gelado da voz, ordenando que se retirasse.

"Segurança pessoal dela, só pode”, pensou, agora convencido de que o tal brutamontes talvez fosse o verdadeiro responsável por manter Francine tão protegida… e tão longe dele.

O investigador fechou a pasta e se recostou.

— E mesmo que tivesse algum relacionamento com o patrão, não há nenhum indício disso.

Natan deu de ombros, já imaginando como poderia usar aquele conhecimento…

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