Francine despertou devagar, ainda sentindo o corpo pesado e aquecido do pós-encontro com Dorian.
Espreguiçou-se, soltando um suspiro preguiçoso, e só então se obrigou a sair da cama. O piso frio sob os pés descalços a fez despertar de vez, e ela caminhou até o armário, abrindo as portas com o automatismo de quem repetia aquele gesto todos os dias.
Estendeu a mão para o uniforme… e congelou.
O dela, o oficial, estava em pedaços, literalmente. A lembrança da noite anterior veio como um flash: o olhar faminto de Dorian, o som seco dos botões se soltando, o tecido cedendo sob os dedos dele. Uma risada escapou sozinha.
— Parabéns, Francine… essa vai pro currículo — murmurou para si mesma, balançando a cabeça enquanto puxava o uniforme extra do cabide.
Já trocada, seguiu até a sala de Denise, batendo de leve na porta antes de entrar.
— Denise, preciso de um uniforme novo.
A supervisora levantou os olhos, franzindo a testa.
— O que aconteceu com o seu? A troca de uniformes foi feita recentemente.
— Aconteceu um… acidente ontem à noite.
— Você sabe que vai ser descontado do seu salário, né?
Francine sorriu de canto.
— Desconte do senhor Dorian, a culpa é dele.
A sobrancelha de Denise arqueou, carregada de desconfiança.
— Francine, o que aconteceu exatamente?
— Nada… só me dá o uniforme, por favor — respondeu, a voz carregada de riso, enquanto o calor subia pelo rosto.
Era impossível não corar ao lembrar da cena no escritório, de Dorian a puxando contra ele e a camisa cedendo sem a menor chance.
Denise ainda a observava como quem sabia que havia mais naquela história, mas acabou apenas se levantando para buscar a peça.
Francine aproveitou para respirar fundo e tentar apagar o sorriso bobo… sem muito sucesso.
Saiu da sala de Denise com o uniforme novo debaixo do braço, já se sentindo mais calma, ou pelo menos tentando. No fundo, o corpo ainda carregava aquele calor da noite anterior, e era difícil ignorar.
Na cozinha, começou a organizar as coisas para preparar o café da manhã de Dorian: bandeja de prata, xícara preferida, pão fresco, frutas cortadas. Movia-se com a agilidade de quem já conhecia cada detalhe da rotina, quando ouviu a voz de Malu às suas costas.
— Acho que o senhor Dorian precisa contratar mais funcionários…

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