O restante da manhã passou num misto de expectativa e frustração. Francine, ainda com o celular por perto, esperava uma nova mensagem de Dorian, mas nada veio.
O dia no escritório da Villeneuve Corporation estava uma loucura. Planilhas, reuniões, e mais reuniões.
Dorian revisava um planejamento de investimentos que simplesmente não saía como ele queria e cada gráfico parecia zombar da sua paciência.
Mas, diferente dos dias normais, ele não explodia com os funcionários. Pelo contrário, Cassio, que observava de perto, percebeu algo diferente: o chefe parecia mais paciente, quase leve, mesmo no meio do caos.
Quando a reunião terminou, Dorian dispensou todos com um aceno contido de cabeça e chamou Cassio para almoçar.
— Cassio, vamos tomar um chopp? — disse Dorian, como se fosse a coisa mais natural do mundo.
Cassio quase engasgou com a sugestão.
— Você está com febre? Me sugerindo beber em horário de expediente?
Dorian deu de ombros e esboçou um sorriso raro, daqueles que misturavam cansaço e diversão.
— Essa reunião esgotou todas as minhas forças, cara, preciso beber um pouco. A noite foi insana.
Cassio arqueou a sobrancelha, imediatamente captando o tom diferente na voz do amigo.
— Beleza, então vamos. Mas você me conta o que realmente aconteceu, porque definitivamente não está normal hoje.
Dorian olhou para Cassio, segurando o riso por um instante antes de assentir com a cabeça.
— Vou te contar… mas não espere nada discreto. A noite foi um verdadeiro caos, e de um jeito bom.
Cassio não conseguiu segurar a curiosidade e sorriu maliciosamente, já imaginando que a história envolvia Francine.
— Francine, né? Deixa eu adivinhar: você finalmente conseguiu domar a peste?
Dorian apenas soltou uma risada baixa, deixando no ar que havia algo muito mais intenso por trás da resposta, enquanto pegava o paletó e seguia Cassio para o restaurante próximo ao escritório.
Entraram no restaurante pouco movimentado, escolhendo uma mesa no canto, afastada o suficiente para que ninguém escutasse suas vozes.
O aroma de comida recém-preparada se misturava ao leve burburinho de outros clientes, criando um ambiente confortável para confidências.
Cassio foi quem puxou o assunto:
— Então, você vai me contar ou vai ficar me enrolando o dia todo?
Dorian se recostou na cadeira, cruzando os braços, o olhar sério, mas os cantos da boca denunciando diversão.
— Eu acho que, no fim, eu só precisava aplicar um pouco de pressão — disse ele, com aquele tom frio, mas carregado de satisfação.
Cassio quase engasgou com a fala.

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