Francine despertou antes do sol nascer, como seu relógio biológico já estava acostumado, e percebeu que Dorian não estava ao seu lado.
— Caramba, Dorian, pelo menos eu deixei um bilhete... — resmungou.
Ainda sonolenta, vestiu rapidamente sua roupa e saiu do quarto, caminhando pelo corredor silencioso.
Foi então que o encontrou vindo em sua direção, o corpo suado de quem nitidamente estava se exercitando, mas com o olhar firme e intenso.
Antes que pudesse reagir, ele puxou sua mão e a beijou delicadamente, pegando-a totalmente de surpresa.
— Eu daria na sua boca, mas não quero te molhar de suor. — murmurou, com um sorriso quase imperceptível.
Francine ainda estava tonta com o gesto, sentindo o calor do corpo dele perto do seu, quando Dorian desviou o olhar por um instante e reparou na pulseira que ela ainda usava.
Seus olhos demoraram um segundo a mais sobre ela, calculando, suspeitando.
— Bela pulseira — disse, com uma pitada de sarcasmo.
— Quem me deu tem muito bom gosto — ela sorriu, pensando que realmente tivesse sido ele quem a presenteou, e que a observação fosse apenas uma brincadeira.
Dorian soltou a mão de Francine sem esboçar nenhuma reação, e se afastou em direção ao quarto, deixando um silêncio carregado de tensão e expectativa pelo ar do corredor.
"Então ela realmente ganhou a pulseira de alguém", pensou ele, sentindo o ciúme vir como uma avalanche.
Francine ficou ali parada, olhando para a porta pela qual ele se afastava, um misto de curiosidade e excitação percorrendo seu corpo, enquanto processava o beijo inesperado e o gesto sutil de atenção dele à pulseira.
Um sorriso involuntário se formou em seus lábios, imaginando as intenções por trás daqueles pequenos atos. Ela retomou o trabalho naquele dia, mas, como não estava escalada para o café da manhã, não teve mais contato com Dorian.
A rotina seguiu silenciosa, e o clima entre eles permaneceu suspenso no ar.
Quando Dorian chegou ao escritório, seu semblante era completamente diferente do que Cassio havia visto no dia anterior.
A leveza que antes suavizava seus traços havia sido substituída por uma expressão fechada e distante. O terno impecável, o passo firme e a postura ereta denunciavam controle, mas seus olhos carregavam uma tensão quase palpável.
Cassio, que o conhecia bem demais para ignorar sinais como aquele, esperou que ele se acomodasse na mesa antes de falar.
Cassio arqueou uma sobrancelha.
— E você… o que fez?
— O que eu podia fazer? — Dorian respondeu, com um suspiro pesado. — Mantive a compostura. Não ia me rebaixar discutindo às cinco da manhã. Mas por dentro… — ele pausou, apertando o maxilar. — Foi como levar um soco.
Cassio o encarou por alguns segundos em silêncio, avaliando as palavras.
— Então, o que vai fazer agora?
Dorian desviou o olhar para a janela, onde a cidade se movia no ritmo apressado de sempre, indiferente ao turbilhão dentro dele.
— Ainda não sei. Pra mim não faz sentido dividir ela com ninguém. Eu acho que isso nem deveria ter começado.
Cassio o observou em silêncio por alguns instantes, percebendo que, por trás da postura fria e controlada, havia um incômodo que ele não conseguia disfarçar.
— Você é quem sabe.

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