Os dias seguintes trouxeram um silêncio diferente para a mansão.
Dorian passou a sair cedo, ignorando o café da manhã e mergulhando no trabalho como se o escritório fosse o único lugar seguro para estar.
Francine, no início, tentou manter a proximidade: enviava mensagens curtas, perguntava sobre o dia, fazia comentários leves para arrancar alguma reação.
As respostas, no entanto, eram sempre as mesmas:
“Muito trabalho hoje”
“Cansado demais pra conversar”
Nenhum detalhe, nenhum espaço para continuar a conversa.
Quando a frieza começou a se repetir, ela procurou Malu, largando o celular na mesa com um suspiro frustrado.
— Eu juro que não entendo… ele simplesmente mudou do nada. — A voz dela soava mais confusa que magoada. — Não sei o que aconteceu, Malu.
Malu ouviu com atenção enquanto Francine contava, de braços cruzados e expressão meio impaciente, como Dorian vinha se afastando.
— Olha, Fran… se você largar de mão agora, aí que ele vai se afastar de vez. — Malu apoiou o queixo na mão, pensando. — Você precisa pegar ele desprevenido. Conversar cara a cara. Nada de resolver pelo celular.
Francine revirou os olhos.
— Mas se ele tá agindo assim, é porque já perdeu o interesse. Eu não vou ficar correndo atrás de homem.
— Não é correr atrás, é entender o que aconteceu. — Malu insistiu, firme. — Às vezes um mal-entendido vira um abismo se a gente não resolve.
Francine suspirou, o orgulho latejando. Ela detestava a ideia de ir atrás, mas algo na fala da amiga cutucou uma pontinha de curiosidade, ou teimosia, que a impediu de encerrar o assunto ali.
No final do dia, assim que Dorian cruzou o portão da mansão, Francine já estava na janela da cozinha, observando cada passo dele.
Mal esperou que ele chegasse e foi direto à porta principal, parando bem na frente dele. Com a voz firme, perguntou:
— Por que você está me evitando?
Dorian olhou para ela com o costumeiro semblante imperturbável, mas sua voz saiu baixa e controlada:
— Acho que esse não é o melhor lugar para conversarmos. Me encontra daqui a uma hora lá no bar do terraço.
— Não parece.
Francine soltou um suspiro, percebendo que aquilo não era apenas ciúmes, mas também orgulho ferido.
— Talvez porque você não perguntou nada e tirou conclusões erradas.
O silêncio se estendeu entre eles, pesado.
— É simples, Francine. Quando eu percebo que alguém pode me machucar, a primeira coisa que faço é me afastar. É mais seguro.
Ele desviou o olhar, apertando o frasco de isotônico nas mãos.
— Mas… ao mesmo tempo, eu odeio me sentir assim, como se estivesse perdendo algo que talvez valesse a pena.
Dorian se levantou devagar, cada passo calculado, como um predador que conhece o efeito da própria presença. O som firme dos pés no piso pareceu preencher o silêncio, e a pressão no ar fez Francine prender a respiração sem perceber.
Ele parou tão perto que ela podia sentir o calor dele, a respiração controlada.
— Eu não costumo dividir nada — disse, num tom baixo, quase grave. — E não estou disposto a dividir você com ninguém.

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