O dia de folga amanheceu preguiçoso, com o sol filtrando pelas cortinas e a promessa de um descanso merecido.
Francine ainda estava de pijama quando Malu se jogou de qualquer jeito na cama dela, abrindo espaço entre as cobertas com um suspiro teatral.
— Então, qual vai ser o plano do dia? — perguntou Francine, mexendo distraída no cabelo da amiga.
Malu ergueu uma sobrancelha como quem revelava um grande segredo.
— Ah, qual será? Até parece que você não sabe. Vamos dar a mesma volta de sempre, passar na livraria, na sorveteria de sempre, e depois terminar a tarde reclamando da vida.
Francine resmungou, fingindo-se ofendida.
— Eu não sou tão previsível assim, né?
As duas caíram na gargalhada, cúmplices. O riso preencheu o quarto, leve, como se nada no mundo pudesse perturbá-las naquele instante.
Mas Malu logo lembrou de um detalhe que mudaria a rotina.
— Só que dessa vez não vai dar. Tenho dentista hoje. — Ela fez uma careta dramática, como se fosse uma sentença de morte. — Então esquece sorvete. Nem antes, porque não posso sujar os dentes, nem depois, porque vou estar com a boca dormente. Imagina eu tentando tomar sorvete e derrubando tudo na blusa? Desastre anunciado.
Francine gargalhou ainda mais alto, quase chorando de rir só de imaginar a cena.
Malu apoiou o queixo nas mãos e olhou para Francine com malícia.
— Mas olha, enquanto eu estiver no dentista, você pode dar um pulo na sorveteria. É ali do lado, dá tempo tranquilo. Vai lá se refrescar enquanto eu viro mártir na cadeira.
Francine fez uma careta, cruzando os braços.
— Sozinha? Nem pensar. Nós duas somos tipo Batman e Robin. Não é a mesma coisa sem a dupla.
Malu riu e rebateu sem piedade:
— Tá bom, então prefere ficar na recepção assistindo programa inútil na TV, com volume baixo, esperando eu sair de boca dormente?
Francine hesitou por um instante, fingindo que estava ponderando seriamente a questão.
— Pensando bem… acho melhor ir tomar sorvete sozinha mesmo.
As duas caíram na gargalhada, cúmplices até no exagero. Francine então deu um pulo da cama e correu até o guarda-roupa, abrindo as portas com energia.
— Pronto, decidi! Vou escolher uma roupa à altura de um sorvete tomado em liberdade.


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