Francine o encarou por um segundo, e então soltou uma gargalhada escandalosa, jogando o corpo para trás na cadeira. As pessoas da mesa ao lado chegaram a virar o rosto para ver o motivo de tanta graça.
— Você definitivamente está louco! — disse entre risos, balançando a cabeça como se estivesse diante de alguém completamente fora da realidade.
A risada de Francine ainda ecoava no ar quando Natan, com o semblante fechado, ergueu uma sobrancelha e respondeu, a voz grave e controlada, mas carregada de um sarcasmo perigoso:
— Não entendi por que está rindo... Quer que eu te mostre a nota fiscal? — disse, puxando a carteira com movimentos lentos e calculados, como se quisesse provar sua autoridade até nos detalhes.
A expressão divertida de Francine vacilou. Por um segundo, ela se perguntou se aquilo poderia, de alguma forma, fazer sentido. Mas logo revirou os olhos, como quem não estava disposta a ceder terreno.
— Tá louco? Eu não vou ficar aqui ouvindo suas asneiras. Isso foi um presente sim, mas não foi seu. Foi de alguém muito mais interessante.
Natan inclinou-se para frente, os olhos escuros faiscando, preso entre a indignação e a necessidade de ser reconhecido.
— Não é possível que você não leu o bilhete que mandei junto...
— Não tinha nenhum bilhete, Natan. — Francine ergueu o queixo, desafiadora. — E por que exatamente eu estou discutindo isso com você?
Sem dizer mais nada, ele retirou um papel cuidadosamente dobrado da carteira: a nota fiscal.
Com um gesto brusco, arrastou-a pela mesa na direção dela, como quem arremessa uma carta na mesa de um jogo de poder.
— Fui eu quem comprou essa pulseira pra você. E se não te entregaram meu bilhete, eu vou acabar com aquela espelunca que chamam de joalheria.
Francine segurou o papel com dedos trêmulos. Não era medo, mas raiva e surpresa misturadas.
Seus olhos percorreram rapidamente as linhas da nota: descrição da peça, valores, data. Tudo conferia. A mesma pulseira que brilhava em seu pulso havia sido paga por Natan.
O coração dela deu um salto desconfortável no peito, como se tivesse sido enganado por si mesmo.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras