Francine respirou fundo depois de guardar a pulseira na bolsa, como se finalmente tivesse tirado um peso do braço e também da alma.
Malu, que ainda estava meio aborrecida pelo rosto anestesiado, foi se soltando aos poucos.
Elas seguiram pelas lojas, compraram algumas coisinhas pequenas e pararam para um café rápido antes de ir embora.
Francine ainda sentia o incômodo fantasma da pulseira, como se a pele guardasse a lembrança da pressão no pulso. Tentava ignorar, mas não conseguia se livrar da sensação de estar sendo vigiada, mesmo com Natan longe dali.
Malu e Francine deixaram o café já com os ânimos mais leves, caminhando lado a lado em direção ao ponto de táxis.
— Pronto, distraímos a sua cabeça. Missão cumprida.
O sol já se inclinava no céu, tingindo as fachadas com um dourado que parecia abraçar o fim da tarde.
Quando entraram no taxi, Francine tomada pela empolgação, começou a falar com brilho nos olhos e gestos largos, como se suas palavras precisassem de espaço para ganhar forma.
— Pois então, Malu! — disse, quase pulando no lugar. — O Dorian não é só um cliente, ele é o olheiro da Montblanc! Você sabe o que isso significa? Se eu realmente conseguir mostrar meu trabalho, se ele me levar pra lá, é como se eu tivesse aberto uma porta direto pro Paris Fashion Week! — Ela falava rápido, tropeçando nas próprias frases, mas incapaz de conter a felicidade que transbordava de cada sílaba.
Malu sorria, divertida com o entusiasmo da amiga.
— E eu achando que você já estaria no auge com essas campanhas aqui… — respondeu, ajeitando a bolsa no ombro. — Mas é claro que Paris é outro nível. Eu nunca vi você assim, Fran, com esse brilho.
Francine riu, quase sem acreditar no que dizia em voz alta.
— Você entende? É como… é como se tudo aquilo que eu sonhei desde menina, todo aquele esforço, cada não que eu ouvi, de repente fizesse sentido. Eu poderia estar a um passo de ver meu nome estampado nas passarelas da semana de moda mais importante do mundo!
Os olhos dela se umedeceram de pura excitação, e Malu apertou seu braço com carinho, partilhando do sonho.
Quando o táxi parou diante da entrada da mansão, Francine ainda falava sem parar, como se tivesse medo de que, se ficasse em silêncio, a realidade escapasse por entre seus dedos.
O carro estacionou suavemente, e antes de descerem, Francine soltou o braço de Malu.
— Faz um favor? — pediu, com um sorriso doce. — Leva as bolsas pra dentro, eu vou pagar o motorista.
Natan estava ali, tão próximo que o hálito dele tocava sua pele. Os olhos dele percorreram rapidamente o pulso dela, e um brilho sombrio surgiu quando percebeu a ausência da pulseira que lhe havia dado.
— O que aconteceu com a pulseira que te dei? — perguntou, num tom baixo, quase ameaçador.
— Comi com farinha! — rebateu, a voz falhando em sarcasmo mal disfarçado, como um último recurso de defesa.
O canto da boca dele se ergueu num sorriso torto, mas não havia humor naquele gesto. Era ódio puro, contido sob uma máscara de calma.
Num movimento brusco, segurou o rosto dela com uma das mãos, enquanto a outra empurrou seu corpo contra a pilastra atrás deles.
O choque da superfície fria nas costas fez Francine prender a respiração, presa, sem saída.
Natan inclinou-se perigosamente perto, e as palavras que se seguiram caíram como facas:
— Você acha mesmo que vai se livrar de mim tão fácil?

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