Enquanto pressionava Francine contra a parede, Natan continuou destilando o veneno em forma de palavras:
— Você me deve, Francine. Fui eu que banquei você enquanto brincava de modelo. Eu que tirei você daquele alojamento medíocre, pra não dizer muquifo, e coloquei numa casa de verdade. Fui eu que paguei suas dietas absurdas, seu nutricionista, seu médico… ou já esqueceu dos infinitos desmaios que tinha porque se recusava a comer, só pra manter o peso?
Enquanto falava, a mão que a mantinha pressionada deslizou para a cintura dela, apertando-a com força.
Francine tremia de medo, o coração disparado.
Ela conhecia bem aquele lado dele: controlador, possessivo, violento. Não conseguia prever até onde ele iria. E pior, não tinha certeza se estava armado.
As palavras simplesmente não saíam, era como se ele tivesse arrancado o ar de seus pulmões.
Natan prosseguiu, a voz carregada de convicção insana:
— Você vai ser minha mulher. A sua presença ao meu lado me abre portas, atrai investidores. E a minha lábia conquista eles. Nós somos a dupla perfeita.
— Natan, você está me machucando! — Francine conseguiu soltar, a voz trêmula, enquanto sentia os dedos dele esmagando suas bochechas.
Ele a fitou com frieza, antes de tirar a mão do rosto dela e tampar sua boca com brutalidade.
— Você vai ficar calada enquanto eu estiver falando.
Os olhos de Francine se encheram de desespero. Ela implorava silenciosamente por um socorro que não vinha. Nenhum movimento na rua, nenhum porteiro à vista. Dessa vez, parecia que a sorte não estava do seu lado.
Natan continuou pressionando o corpo de Francine contra a pilastra fria na frente da mansão, seu rosto agora perigosamente próximo do dela.
A pouca distância entre os dois poderia facilmente enganar qualquer olhar externo: quem passasse ali naquele instante acreditaria estar diante de um casal em um beijo secreto, envolto por paixão.
Mas Francine sabia: aquilo não tinha nada de romance, era uma prisão disfarçada de intimidade.

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