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Bilionário, Vamos Nos Divorciar romance Capítulo 360

AIDEN

Finalmente, o dia do transplante havia chegado. Hoje, os embriões seriam testados e implantados na Ana.

Antes deste momento, foram várias idas e vindas ao hospital. Tantos exames, tantas precauções. Foi exaustivo, e se não fosse pela minha filha, talvez eu tivesse desistido. Felizmente, os exames confirmaram que estávamos ambos aptos para seguir com o processo.

Enquanto dirigia para o hospital, me preparava mentalmente para o que estava por vir. Preparei-me para a dor que sempre sentia ao cruzar o olhar com o de Amie, aquele olhar distante, como se eu fosse um estranho com quem ela tentava ser educada. Preparei-me para o turbilhão de emoções que Ana me causava: raiva misturada com um calor estranho sempre que a encarava.

Quando cheguei ao hospital, Ana já estava lá.

— Oi. — Disse ao entrar na sala em que fui conduzido.

Ela olhou para mim e esboçou um pequeno e nervoso sorriso.

Tentava esconder a tremedeira na voz sempre que o médico fazia alguma pergunta e ela precisava responder. Escondeu as mãos nos bolsos do casaco porque não conseguia parar de mexer nos dedos, que tremiam sem controle.

Ela tentava disfarçar o nervosismo, mas eu via tudo com clareza. Todos esses anos e eu ainda sabia quando ela estava nervosa, triste ou feliz.

“Patético.” Pensei, enquanto me aproximava dela.

— Tá bem?

Ela desviou o olhar do médico e me deu um sorriso tenso.

— Estou, obrigada. — Respondeu. Depois acrescentou. — Desculpa pelo transtorno.

Ela vinha dizendo isso desde que eu aceitei fazer parte disso tudo.

— Não, tudo bem. Eu quero fazer isso.

— Obrigada.

Assenti e voltei a atenção para o médico. Por vários minutos, ouvimos ele explicar sobre os embriões, sobre os sinais que indicariam o melhor para Amie e tantas outras informações.

— Também preciso que tenham paciência, pois o processo pode ser mentalmente desgastante, especialmente se os embriões não forem compatíveis. Vocês precisarão se manter calmos até encontrarmos a melhor combinação.

Assenti, e Ana murmurou um pequeno "bem".

— Certo. Se tiverem alguma dúvida, podem perguntar. — Disse ele, reunindo alguns arquivos sobre a mesa.

Ana pareceu prestes a dizer algo, mas se conteve, apertando os lábios.

— Pode perguntar, sabe? — Sussurrei.

Ela balançou a cabeça, sem me olhar.

— Não, não é importante. Já perguntei tudo o que precisava antes.

Quando chegamos, o médico nos recebeu com um sorriso e pediu para que perguntássemos qualquer coisa antes de repetir o processo final.

— Tudo bem. — Disse ele, ao perceber nosso silêncio. — Venham comigo.

Saímos do consultório e o seguimos por um corredor comprido até ele dobrar à esquerda e parar diante de uma porta. Entramos em outra sala, toda branca, repleta de monitores que apitavam.

Fizemos os procedimentos necessários e, depois, fomos conduzidos até a recepção para aguardar.

— Esperem aqui, já volto. — Disse o médico antes de desaparecer pelo corredor.

O silêncio pairou até Ana começar a se inquietar. Tirava as mãos dos bolsos, soprava nelas, esfregava uma na outra e depois as enfiava de novo nos bolsos. Repetia isso enquanto tamborilava os pés no chão, o olhar fixo na porta.

Fechei os olhos e cortei esse pensamento.

“Vai dar certo. Enquanto Ana for minha, vai dar certo.”

Estendi a mão e enxuguei as lágrimas do rosto dela com o polegar.

Lentamente, ela levantou o olhar para mim, os olhos brilhando.

Sorri para ela. O amor dela pela nossa filha me tocava profundamente.

— Vai ter uma combinação, e ela vai ficar bem.

Vi uma lágrima rolar e a enxuguei também.

— A Amie não gostaria de ver a mamãe chorando assim por causa dela.

Ela soltou uma risada triste.

— Obrigada.

Nesse momento, a porta se abriu e o médico se aproximou de nós com uma expressão neutra.

Prendi a respiração enquanto Ana e eu nos levantamos.

Ele assentiu e sorriu.

— O procedimento foi um sucesso. Encontramos um embrião com a compatibilidade perfeita. Podemos seguir para a próxima etapa.

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