AIDEN
Finalmente, o dia do transplante havia chegado. Hoje, os embriões seriam testados e implantados na Ana.
Antes deste momento, foram várias idas e vindas ao hospital. Tantos exames, tantas precauções. Foi exaustivo, e se não fosse pela minha filha, talvez eu tivesse desistido. Felizmente, os exames confirmaram que estávamos ambos aptos para seguir com o processo.
Enquanto dirigia para o hospital, me preparava mentalmente para o que estava por vir. Preparei-me para a dor que sempre sentia ao cruzar o olhar com o de Amie, aquele olhar distante, como se eu fosse um estranho com quem ela tentava ser educada. Preparei-me para o turbilhão de emoções que Ana me causava: raiva misturada com um calor estranho sempre que a encarava.
Quando cheguei ao hospital, Ana já estava lá.
— Oi. — Disse ao entrar na sala em que fui conduzido.
Ela olhou para mim e esboçou um pequeno e nervoso sorriso.
Tentava esconder a tremedeira na voz sempre que o médico fazia alguma pergunta e ela precisava responder. Escondeu as mãos nos bolsos do casaco porque não conseguia parar de mexer nos dedos, que tremiam sem controle.
Ela tentava disfarçar o nervosismo, mas eu via tudo com clareza. Todos esses anos e eu ainda sabia quando ela estava nervosa, triste ou feliz.
“Patético.” Pensei, enquanto me aproximava dela.
— Tá bem?
Ela desviou o olhar do médico e me deu um sorriso tenso.
— Estou, obrigada. — Respondeu. Depois acrescentou. — Desculpa pelo transtorno.
Ela vinha dizendo isso desde que eu aceitei fazer parte disso tudo.
— Não, tudo bem. Eu quero fazer isso.
— Obrigada.
Assenti e voltei a atenção para o médico. Por vários minutos, ouvimos ele explicar sobre os embriões, sobre os sinais que indicariam o melhor para Amie e tantas outras informações.
— Também preciso que tenham paciência, pois o processo pode ser mentalmente desgastante, especialmente se os embriões não forem compatíveis. Vocês precisarão se manter calmos até encontrarmos a melhor combinação.
Assenti, e Ana murmurou um pequeno "bem".
— Certo. Se tiverem alguma dúvida, podem perguntar. — Disse ele, reunindo alguns arquivos sobre a mesa.
Ana pareceu prestes a dizer algo, mas se conteve, apertando os lábios.
— Pode perguntar, sabe? — Sussurrei.
Ela balançou a cabeça, sem me olhar.
— Não, não é importante. Já perguntei tudo o que precisava antes.
Quando chegamos, o médico nos recebeu com um sorriso e pediu para que perguntássemos qualquer coisa antes de repetir o processo final.
— Tudo bem. — Disse ele, ao perceber nosso silêncio. — Venham comigo.
Saímos do consultório e o seguimos por um corredor comprido até ele dobrar à esquerda e parar diante de uma porta. Entramos em outra sala, toda branca, repleta de monitores que apitavam.
Fizemos os procedimentos necessários e, depois, fomos conduzidos até a recepção para aguardar.
— Esperem aqui, já volto. — Disse o médico antes de desaparecer pelo corredor.
O silêncio pairou até Ana começar a se inquietar. Tirava as mãos dos bolsos, soprava nelas, esfregava uma na outra e depois as enfiava de novo nos bolsos. Repetia isso enquanto tamborilava os pés no chão, o olhar fixo na porta.
Fechei os olhos e cortei esse pensamento.
“Vai dar certo. Enquanto Ana for minha, vai dar certo.”
Estendi a mão e enxuguei as lágrimas do rosto dela com o polegar.
Lentamente, ela levantou o olhar para mim, os olhos brilhando.
Sorri para ela. O amor dela pela nossa filha me tocava profundamente.
— Vai ter uma combinação, e ela vai ficar bem.
Vi uma lágrima rolar e a enxuguei também.
— A Amie não gostaria de ver a mamãe chorando assim por causa dela.
Ela soltou uma risada triste.
— Obrigada.
Nesse momento, a porta se abriu e o médico se aproximou de nós com uma expressão neutra.
Prendi a respiração enquanto Ana e eu nos levantamos.
Ele assentiu e sorriu.
— O procedimento foi um sucesso. Encontramos um embrião com a compatibilidade perfeita. Podemos seguir para a próxima etapa.

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