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Caminho traçado: Resgatada pelo inimigo romance Capítulo 219

— Pode me ajudar com aquelas caixas? — Estelle pergunta, ajeitando os cabelos presos de forma desajeitada enquanto segura a tampa de uma das caixas abertas no novo apartamento.

— Claro, amor — responde Mark com um sorriso carinhoso, já se aproximando para ajudá-la.

O novo lar dela ficava exatamente ao lado do dele, algo que parecia simples, na prática, mas que para Mark era quase simbólico: ela estava cada vez mais perto, não apenas fisicamente, mas da vida que ele sonhava dividir.

Eles passam as próximas horas montando móveis, encaixando prateleiras, carregando sacolas e rindo entre tropeços e instruções mal interpretadas do manual. Quando finalmente colocam o último parafuso da mesa de jantar, já passava de onze e meia da noite.

— Acho que já chega por hoje — Mark comenta, respirando fundo e limpando o suor da testa com a manga da camisa.

— Concordo. Estou exausta — ela sorri, sentando-se no chão com as costas apoiadas na parede.

— Vou pedir alguma coisa para a gente comer — ele diz, já pegando o celular.

— Tudo bem. Eu topo qualquer coisa que venha numa embalagem e não envolva cozinha hoje.

Rindo, ele faz o pedido e, alguns minutos depois, os dois estão sentados no tapete da sala, ainda sem sofá, dividindo uma pizza.

Depois da última fatia, Estelle se espreguiça, encostando a cabeça no ombro dele.

— Se não fosse o cansaço, eu continuaria até amanhecer só para ver isso tudo pronto — murmura.

— Eu também. Mas acho que nossos corpos estão dizendo que já deram o limite por hoje — ele diz, acariciando levemente o cabelo dela.

Ela levanta devagar e vai até a porta com ele. O momento da despedida é simples, mas tem um quê de hesitação.

— Boa noite, meu amor — ela diz, dando-lhe um beijo demorado.

— Boa noite — responde ele, com vontade de dizer “deixa eu ficar” — mas respeita o espaço, ainda que a vontade de permanecer seja grande.

Assim que entra no próprio apartamento, Mark se depara com o silêncio. Um contraste estranho depois das risadas, dos ruídos de caixas e parafusos e da presença viva de Estelle ao lado. Vai para o banheiro, toma um banho demorado e se j**a na cama, com o corpo exausto, mas a mente desperta.

Ficou ali, deitado, olhando para o teto escuro, ciente de que, do outro lado da parede, ela também estava provavelmente deitada, revivendo mentalmente cada momento daquela noite. A presença dela era como um eco na cabeça dele, e mesmo sem vê-la, ele sentia: ela estava ali.

Quase sem perceber, Mark se levanta. Pega o celular, digita uma mensagem e apaga. Depois outra. E apaga de novo. Até que decide não mandar nada.

Assim passaram-se alguns meses. Depois de tudo montado, Estelle e Mark começaram a alternar as noites entre um apartamento e outro, logo após o expediente de trabalho. Era quase automático: jantar, uma conversa longa no sofá e depois, a temida despedida no corredor. Mas a cada noite, ficava mais evidente o desejo silencioso de encurtar aquela distância final. Ainda assim, Mark queria fazer tudo da forma certa.

Numa dessas noites, estavam assistindo a um filme juntos no sofá da casa dele. Estelle, já aninhada sob uma manta, olhou discretamente para o relógio de parede.

— Acho que está na hora de eu ir — murmurou, levantando-se devagar.

Mark segurou sua mão antes que ela se afastasse.

— Por que a gente não se casa?

A pergunta pegou-a de surpresa como uma brisa inesperada. Ela o encarou, confusa.

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