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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 182

— Tudo bem, como o senhor quiser — Noah respondeu, antes que Elisa protestasse novamente. — Vamos fazer isso, até que o senhor perceba que não há o que temer.

Percebendo que o rapaz estava sendo bem flexível, Saulo decidiu ir além.

— Eu percebi que vocês já estavam bem soltinhos aqui, então… vai mais uma regra — continuou, enquanto via a filha revirar os olhos, impaciente. — Quero que evitem esse contato todo.

— O quê? — indagou Elisa, incrédula.

— Nada de beijos ou abraços demorados. Podem dar as mãos, se quiserem, isso eu deixo.

— Ah, não! — ela protestou, revoltada.

Sem dizer mais nada, Elisa se levantou e caminhou até a mãe, que conversava com um dos convidados.

Puxou Denise discretamente para um canto e cochichou algo em seu ouvido. Imediatamente, Denise lançou um olhar direto na direção do marido e fez uma careta. Em seguida, caminhou até o grupo.

— Amor, o que você pensa que está fazendo com os dois?

— Estou apenas impondo limites, Morena — respondeu Saulo, com firmeza.

— Limites? — ela repetiu, com indignação. — Para de perturbar essas crianças, Saulo!

— Eles não são mais crianças, Morena. É justamente por isso que estou perturbando! Só quero me assegurar de que nenhum… acidente vá acontecer.

— Acidente? Que tipo de acidente?

— Ah, você sabe… — disse ele, corando levemente.

Vendo o desespero do marido, Denise suavizou o tom, aproximando-se e falando com mais calma.

— Querido, se eles quiserem fazer alguma coisa, vão fazer, mesmo que você fique vigiando vinte e quatro horas por dia. Você precisa confiar nos dois. Você sabe que o Noah é um bom rapaz, conhece muito bem os pais dele, que o criaram com tanto cuidado. E, além disso, deve confiar na educação que demos à Elisa também.

Envergonhado com a situação, Saulo abaixou a cabeça e murmurou:

— Você tem razão, Morena… Parece que estou ficando meio paranoico.

— Meio? — Elisa provocou, arrancando risadas, mas recebeu um olhar de reprovação da mãe, que a fez se calar na hora.

Mesmo achando que Saulo estava exagerando, Noah reconheceu a preocupação do sogro. Então, se aproximou e colocou a mão em seu ombro.

— Eu respeito muito a sua filha, tio. E respeito o senhor também. Sei que deve estar sendo difícil vê-la tão independente agora. Por isso, enquanto o senhor não se sentir seguro com o nosso namoro, eu prometo seguir as suas regras. Tirando a dos beijos, é claro — disse, com um leve sorriso.

Diante da maturidade do rapaz, Saulo apenas murmurou:

— Ah, seu moleque… Quando foi que aprendeu a falar como um homem?

— Ei! Eu sou mais linda que a minha irmã! — interrompeu Eloá, se aproximando após ouvir a conversa. — E mais inteligente também!

— Nem vem — respondeu Elisa, rindo. — Você pode até ser a mais inteligente, mas o tio Oliver já disse que eu sou a mais linda.

Em seguida, ela abraçou a irmã com carinho e se aproximou de seu ouvido para sussurrar:

— E vou ser a nora preferida também.

Por mais que soubesse que a irmã estava apenas brincando e querendo provocá-la, Eloá sentiu uma pontada de tristeza por dentro. No fundo, ela sabia que, para realmente fazer parte daquela família um dia, assim como Elisa estava prestes a fazer, teria primeiro que conquistar o coração de Henri.

E isso parecia quase impossível.

Dos três filhos de Aurora e Oliver, Henri era o mais reservado, o mais frio e o único que nunca demonstrava interesse por relacionamentos. Parecia sempre distante, envolvido demais em seus próprios pensamentos, como se tivesse erguido muros altos demais para que alguém pudesse atravessar.

Eloá, que costumava conquistar tudo com facilidade, como notas, elogios, atenção, agora se via diante de um desafio que nem toda sua inteligência ou charme pareciam capazes de resolver.

Por que, mesmo sabendo que ele e Gael eram praticamente iguais, seu coração havia escolhido justamente o gêmeo sem coração?

Ela se perguntava em silêncio, enquanto via a família toda sorrir, como se dali em diante não houvesse mais nenhum problema.

Mas dentro dela, a dúvida travava uma guerra silenciosa. Porque, diferente da leveza ao redor, Eloá carregava um segredo: havia se apaixonado por alguém que talvez nunca a olhasse da mesma forma.

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