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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 184

Quando Noah chegou com o irmão à casa da namorada para buscá-la, ainda era bem cedo.

— Bom dia, meninos! Por que não tomam café conosco? — Denise os recebeu com um sorriso acolhedor.

— Não queremos atrapalhar, tia Dê — respondeu Noah, educadamente.

— Que isso, não é incômodo algum. Vamos, entrem.

Os dois rapazes, altos e de porte atlético, desceram do veículo e atravessaram a porta. Denise já se adiantava:

— Vou mandar preparar a mesa — disse, se afastando em direção à cozinha.

Assim que Elisa viu Noah, correu até ele e o abraçou com força, colando seus lábios nos dele sem hesitar.

— Bom dia, Noah. Como você está?

— Melhor agora — respondeu ele, sorrindo enquanto envolvia a cintura dela com as mãos.

A demonstração de carinho causou certo constrangimento em Henri e Eloá, que estavam ali próximos. Eloá, especialmente, sentiu o rosto corar ao olhar para Henri. Queria tanto ter coragem de fazer aquilo com ele… mas desde que chegou, ele sequer a olhou nos olhos.

Mesmo assim, decidiu se arriscar e puxar uma conversa.

— Bom dia, Henri.

— Bom dia, Eloá — respondeu ele, num tom neutro.

— Como você está?

— Bem — limitou-se a dizer, sem retribuir a pergunta.

— Eu gostei muito do seu presente — disse ela, se aproximando com o relógio delicadamente preso ao pulso. — Muito obrigada.

— Que bom que gostou — respondeu com um sorriso contido.

— Foi você mesmo que escolheu?

— Para ser bem sincero… não. Eu pedi para minha mãe comprar algo que combinasse com você.

— Ah, entendi… — murmurou, ligeiramente frustrada, abaixando o olhar.

— E o que achou do meu presente? — Noah perguntou, entrando na conversa com um sorriso maroto.

— Eu ainda não abri o seu — ela revelou.

— Ah, não? — arqueou uma sobrancelha, com um tom provocador. — Só abriu o do Henri porque ele é mais especial?

— Não! — rebateu, visivelmente constrangida. — Eu abri vários presentes, mas ainda não cheguei ao seu, só isso.

Notando que ela havia se incomodado, Noah deu um sorriso despreocupado.

— Estou brincando, Eloá. Eu sei disso.

Mesmo sendo apenas uma brincadeira, aquilo a incomodou. Mas ela preferiu não dizer nada. Qualquer reação pareceria exagero.

— Vou tomar meu café — disse, saindo da sala apressadamente.

Os outros três a seguiram em silêncio até a sala de jantar. Saulo já estava sentado à mesa, com o jornal em mãos e a xícara de café à frente. Ao ver o genro entrando, ergueu o olhar e fez uma careta meio brincalhona, meio séria.

— Já veio sequestrar a minha filha logo cedo?

— Como o senhor disse que só posso ficar com ela nos fins de semana, eu vim aproveitar ao máximo — respondeu Noah, com um sorriso esperto.

— É bom ficar bem atento ao que te disse ontem à noite.

— Pode deixar, sogro, eu escutei muito bem. Mas fique tranquilo… a Eloá e o Henri vão com a gente.

A informação pegou Saulo de surpresa. Ele levantou as sobrancelhas e alternou o olhar entre a filha mais nova e Henri.

— Porque eu te conheço, irmãzinha — disse Elisa com um tom doce e compreensivo. — E sei reconhecer quando você está se segurando.

Eloá virou-se devagar, com um sorriso torto nos lábios e os olhos marejados.

— É só que… às vezes, escutar a verdade dói mais do que imaginar mil mentiras.

Elisa a abraçou de imediato, apertando-a com carinho.

— A verdade dele não define quem você é, Eloá. Só mostra que ele ainda é cego demais para enxergar o que está perdendo.

— Como ele consegue ser tão idiota? — desabafou, afundada nos braços da irmã.

— Eu também não sei — respondeu, acariciando suas costas. — Mas não deixe que isso te derrube.

— Eu tento… mas sempre dou atenção a tudo o que ele diz. E depois daquilo… sinceramente, não sei nem se quero mais sair com vocês hoje.

— Não fale isso.

— Como não? Ele conseguiu estragar meu dia, e ainda nem são sete da manhã!

— Ele não estragou o seu dia, Eloá. Foi só um momento ruim. Vai passar, eu te prometo.

— Não sei, irmã… — murmurou, com a voz embargada.

— Por favor, não desanima logo de cara. Eu queria tanto que você fosse com a gente…

Eloá suspirou, tentando conter o que ainda restava de mágoa.

— Tudo bem. Mas eu vou só por você.

Elisa sorriu e a abraçou com mais força.

— Já é o suficiente para me deixar feliz.

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