O trajeto de carro até a capital não foi dos mais agradáveis para Eloá, que teve que se sentar ao lado de Henri, enquanto Elisa ocupava o banco da frente com Noah, que dirigia e conversava animadamente sobre os planos do dia.
— Podemos ir naquele restaurante de frutos do mar na hora do almoço — sugeriu Elisa, empolgada.
— Claro, eu amo aquele lugar — respondeu Noah, sem hesitar.
— E depois, podemos passar no shopping, o que você acha?
— Vou adorar — ele respondeu de imediato, aceitando com um sorriso cada uma das sugestões da namorada.
— E à noite, antes de voltarmos, que tal jantar naquele restaurante italiano?
— Perfeito. Eu vou amar — repetiu Noah, sem esconder o entusiasmo.
Ver o namorado da irmã disposto a agradá-la em cada detalhe despertou algo amargo em Eloá. Inveja. Não uma inveja maldosa, mas aquela dorzinha silenciosa de quem também queria ser amada daquele jeito.
Elisa nunca precisou fazer esforço nenhum para conquistar o coração de Noah. Tudo entre eles aconteceu de forma espontânea e bonita. Já ela…
Soltou um suspiro pesado e lançou um olhar discreto para Henri ao seu lado. Queria tanto que aquele homem a enxergasse. Queria tanto que ele a amasse. Mas depois do que ele disse naquela manhã, na mesa do café, parecia impossível.
Mas por quê? Por que Henri disse aquilo com tanta certeza?
O que será que havia nela que o afastava tanto assim?
Perdida nesses pensamentos, fechou os olhos por alguns segundos.
— Está sentindo alguma coisa? — ouviu a voz dele, num tom contido, ao seu lado.
— Não. Por quê?
— Você está tão calada desde que saímos da sua casa.
— Deve ser impressão sua — rebateu, sem encará-lo.
— Tudo bem — respondeu ele, virando o rosto para a janela e observando a paisagem que passava devagar.
“Que insensível”, ela pensou, sem conseguir esconder a mágoa.
Assim que chegaram à casa de praia dos pais de Noah, Eloá foi direto para o quarto de hóspedes onde sempre ficava. Caminhava com passos apressados, querendo apenas se esconder. Elisa veio logo atrás, entrando no cômodo com um sorriso enorme no rosto.
— O Noah disse que tem uma surpresa para mim hoje — contou, empolgada.
— Que bom para você, irmã — respondeu Eloá, jogando-se desanimada sobre a cama.
Ao perceber que o humor da irmã ainda não havia melhorado, Elisa conteve a empolgação e se aproximou com cuidado.
— Maninha… você ainda está triste?
Eloá não respondeu. Apenas balançou a cabeça, sem se virar.
Elisa sentou-se ao lado dela e começou a acariciar suas costas, com delicadeza.
— Me desculpa. Se eu não tivesse tido a ideia de pedir para o Noah chamar o Henri, você não o teria visto no café da manhã… e aquela conversa talvez nunca tivesse acontecido.
Eloá permaneceu em silêncio por alguns segundos, absorvendo aquelas palavras. Então, percebendo que seu estado de espírito estava atrapalhando o segundo dia de namoro da irmã, levantou-se da cama e enxugou discretamente uma lágrima.
— Me desculpa… — disse, segurando as mãos de Elisa com carinho. — Não queria estragar o seu dia.
Elisa sorriu, com ternura.
— Você não estraga nada, Eloá. Você é minha irmã. Se você não estiver bem, eu também não estou.
Eloá sorriu de volta, um pouco mais leve.
— E eu devia fazer o mesmo em relação a você. Se você estiver feliz, então eu também quero estar — disse, apertando com mais força a mão da irmã. — O que será que o Noah vai te dar? — perguntou, tentando soar empolgada.
O interesse da irmã fez Elisa abrir um sorriso ainda mais radiante.
— Não faço ideia, mas estou tão ansiosa…
— Ué… com um anel desse, achei que fosse noivado.
— Não é um anel de noivado. É um anel de compromisso — explicou. — Queria te mostrar antes… saber sua opinião. Você acha que a Elisa vai gostar?
Eloá suspirou. Ver, mais uma vez, o quanto Noah era atencioso e carinhoso com Elisa apertava algo dentro dela. Mesmo assim, sorriu com doçura.
— Vai amar, com certeza. Tudo que vem de você tem um valor enorme para ela, Noah. E o fato de você ter comprado um anel para mostrar o quanto esse namoro é sério… vai fazer a minha irmã te amar ainda mais.
Visivelmente aliviado e animado com a resposta, Noah sorriu.
— Obrigado por dizer isso, Eloá.
Ela assentiu com um leve sorriso, mas seu olhar, por um instante, ficou distante.
— Vou voltar para o quarto antes que minha irmã sinta falta de mim — disse, abrindo a porta.
— Tudo bem — ele respondeu, ainda sorrindo.
Assim que saiu do quarto, ela seguiu pelo corredor, ainda processando tudo o que acabou de ver. Mas parou de repente ao notar a porta do quarto de Henri entreaberta. Seu coração acelerou. Ele estava lá dentro, sentado num canto, de costas para a entrada, falando ao telefone.
Ela hesitou. Não queria ouvir… mas não conseguiu evitar. Aproximou-se e, com o coração apertado, encostou o ouvido na fresta da porta.
— Estou na capital, na casa dos meus pais. Dá uma passada aqui. Eu ia amar te ver depois de tanto tempo…
Fez-se um breve silêncio, provavelmente enquanto a pessoa do outro lado da linha respondia. Eloá prendeu a respiração.
— Relaxa… — ele continuou, em um tom mais baixo e confiante. — À noite, meu irmão vai sair para jantar com a namorada e voltar para casa. Eu invento uma desculpa e fico. Aí a gente aproveita a noite toda… Estou morrendo de saudade de você, linda.
Foi como levar um soco no peito.
A respiração de Eloá falhou por um instante. O frio que correu pela sua espinha parecia ter congelado os pés. Aquilo era a resposta para todas as perguntas que martelavam sua cabeça desde o café da manhã.
Henri não a queria… porque já tinha alguém.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda
Além de pular capítulos, ainda não tem os capítulos bônus! Onde podemos ler a história completa e de graça?...
Os capítulos 73. 74 estão faltando ai ñ da para compreender e ficamos perdidas...
Alguém tem esse livro em PDF ?...
Do capítulo 70 em diante não se entende mais nada, pulou a história lá pra frente… um fiasco de edição!!!...
A partir do capítulo 10, vira uma bagunça, duplicaram a numeração dos capítulos, para entender é preciso ler apenas os lançados em outubro de 2023, capítulo 37 está faltando, a rolagem automática não funciona, então fica bem difícil a leitura! Uma revisão antes de publicar não faria mal viu!!!...
Nossa tudo em pe nem cabeça, tufo misturado, não acaba estórias e mistura com outro, meu Deus...
Lindo demais...