Entrar Via

Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 194

Na casa dos avós, Eloá pegou o notebook e começou a pesquisar faculdades fora do país. Estava prestes a concluir o ensino médio e pretendia cursar Ciências Contábeis no Brasil. Para num futuro próximo auxiliar a família no gerenciamento dos negócios, mas, depois da decepção ao ver Henri com outra mulher, percebeu que permanecer ali, tão próxima de tudo aquilo, só a faria se machucar ainda mais a cada dia que passasse.

Ela sabia que, ao comunicar sua decisão de estudar fora, seus pais ficariam profundamente tristes e sua irmã também. Mas, naquele momento, aquela parecia ser a única saída. Precisava colocar um oceano entre ela e tudo o que a fazia sofrer. Só assim, talvez, conseguisse arrancar Henri do coração.

— É assim que eu espero — sussurrou para si mesma, enquanto começava a preencher os formulários e enviar suas informações para as universidades estrangeiras.

Seus dedos tremiam levemente sobre o teclado, mas ela não parava. O coração apertava a cada clique, como se estivesse dando adeus não apenas ao país, mas também à parte de si mesma que ainda esperava, lá, no fundo, que Henri fosse atrás dela.

Estava tão concentrada naquilo que nem percebeu o tempo passar. Quando finalmente olhou para o relógio e viu que já passava das nove da noite, estranhou o fato de sua irmã ainda não ter aparecido para buscá-la de volta à fazenda. Estava prestes a ligar para Elisa quando seu avô surgiu à porta do quarto, anunciando:

— O Henri está aqui. Disse que veio buscá-la para irem para casa.

— O Henri? — ela perguntou, confusa.

— Sim.

— A Elisa e o Noah não estão com ele? — questionou, franzindo a testa.

— Não, ele está sozinho — respondeu o avô.

Um sinal de alerta ecoou em seu peito. Henri... sozinho? O que ele estava fazendo ali? Será que aquilo era algum plano da irmã para forçá-los a se aproximarem? Se fosse, a irmã que se preparasse, porque teriam uma conversa bem sincera assim que chegasse em casa.

— Tudo bem, já estou indo para casa, vô — disse Eloá, com um sorriso discreto.

— Mas você nem comeu nada... — George comentou, visivelmente preocupado, enquanto a neta se aproximava para abraçá-lo.

— Não estou com fome — respondeu, baixinho, antes de seguir em direção à sala em busca da avó para se despedir também.

— Está tarde, meu amor... por que não dorme aqui hoje? — sugeriu Cora, com a voz doce e preocupada.

— Não posso, vó. Amanhã precisarei me preparar para as provas finais.

— Tudo bem, então. Vá com Deus — disse a avó, beijando-lhe a testa com carinho. — Quando chegar em casa, manda uma mensagem só para não ficarmos preocupados.

— Pode deixar que mando sim.

Assim que saiu da casa dos avós, Eloá sentiu o vento frio tocar seu rosto. Durante o dia, aquele lugar costumava ferver de calor, mas à noite a temperatura despencava como se o tempo quisesse lembrar que até o aconchego tem hora para acabar.

Descendo os degraus da casa, avistou Henri parado, encostado no carro. A cena a fez parar por um instante. Por mais que estivesse furiosa com ele, não podia negar o quanto ele era bonito e naquele momento, com aquele jeans claro e jaqueta de couro preta, parecia ainda mais irresistível. Era o tipo de beleza que irritava justamente por ser tão evidente.

Seu coração bateu mais forte assim que o vento trouxe consigo o perfume dele. Aquele aroma mexia com ela de um jeito difícil de explicar, como se cada nota carregasse uma lembrança, um desejo silencioso, uma ausência. Era um perfume que a deixava atordoada, porque sabia que jamais o teria grudado em sua própria pele. Por mais que quisesse, ele nunca seria seu. E, de algum modo, era como se uma das notas daquele perfume fosse feita de uma tristeza quase imperceptível, que denunciava o quanto ela desejava algo inalcançável.

Era por isso que queria evitá-lo, vê-lo daquele jeito a deixava sem ar, com o coração acelerado.

— Ah, é verdade... Ela mesma disse que você ainda não teve coragem de assumir.

— Nem vou ter — Henri respondeu, sem tirar os olhos da estrada.

— Como assim?

— Não sei se você lembra do que eu disse hoje de manhã, na sua casa... Mas deixei bem claro que não pretendo namorar tão cedo.

— E também disse que jamais se interessaria por mim — sussurrou.

— O que disse? — Ele perguntou, sem entender.

— Eu perguntei: o que a Mariana é então? — disfarça. — Sua ficante?

— Isso — confirma.

— Mas ela me pareceu tão íntima... até o Noah a conhece.

— Do mesmo jeito que ele conhece as minhas outras dez — disparou, abrindo um sorrisinho descarado, com a naturalidade de quem comentava a coisa mais comum do mundo.

Eloá ficou boquiaberta. Piscou algumas vezes, tentando assimilar a informação, mas nada pagava a expressão de choque estampada em seu rosto.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda